qua, 21 outubro 2026

Crítica | Cara-de-Barro

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Cara-de-Barro acompanha Matt Hagen, uma estrela de Hollywood em ascensão que se transforma magicamente em uma terrível criatura feita de barro. Sedento por vingança, o monstro despoja o homem de sua identidade e humanidade. Sempre aos arredores de Gotham City, ele assombra e alterna entre ser inimigo e aliado do Batman.

Filmes de origem tem uma cartilha básica a ser seguida: eles sempre começam mostrando como eram a vida de um sujeito comum e como uma situação em um belo dia virou a sua vida de ponta cabeça. Concluindo a história revelando como ele lidou com isso e o caminho que optou seguir. Cara-de-Barro segue essa cartilha, mas com um diferencial. A produção em momento algum mostra o personagem central como vítima. O que aconteceu só fez expor quem ele já era. A produção inicia mostrando o talentoso ator como alguém vaidoso, narcisista e se achando digno de tudo que ele deseja. A direção de James Watkins (Não Fale o Mal) abraça isso e mostra as consequências absurdas que podem acontecer quando alguém com essa personalidade entende que precisa fazer justiça. O diretor com isso em mente, consegue construir uma atmosfera sufocante e repleta violência, mostrando cenas que vão provocar arrepios no espectador.

Com uma classificação indicativa para maiores de 18 anos, o filme não quer suavizar a perversidade dos acontecimentos. Mesmo tendo momentos de ternura e até românticos, a produção tem momentos brutais que surgem sem fazer alarde. Essa escolha torna o filme em uma experiência atordoante e que mostra como boas histórias e narrativas mais adultas tem espaço no mundo das adaptações de HQ’s.

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Tom Rhys Harries (White Lines) é uma grata surpresa. O ator entrega uma atuação digna de prêmios. Sua presença e intensidade nos fazem compreender seu estado emocional e confere humanidade ao personagem, mesmo com a produção em momento nenhum tentando suavizar suas ações. Naomi Ackie (Pisque Duas Vezes) tem uma atuação segura e surge como contraponto as ações do protagonista. Além disso, o CGI e a maquiagem merecem indicações ao Oscar 2027. Essa é uma experiência de horror que se sustenta pela criatividade visual e os designs usados são surreais e chocantes.

Algo que pode soar confuso para os fãs da DC e não saber ao certo se essa produção pertence ao universo do DCU, ao universo do Batman interpretado por Robert Pattinson (Batman) ou um universo isolado. Além disso, a produção deixa algumas pontas soltas em sua narrativa e estica demais alguns acontecimentos no fim do segundo ato, mas nada disso diminui o prazer de ver esse filme.

Brutal, grotesco e perturbador, Cara-de-Barro é a experiência mais sombria e surpreendente do gênero de super-heróis. Assista na maior tela possível! Que mais produções, com essa pegada, sejam lançadas no DCU, os fãs de cinema agradecem!

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]
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