Crítica | Chernobyl

É a segunda vez que uma série me faz entrar a fundo e estudar todo seu conteúdo e toda história existente na mesma. A primeira vez foi com The Crown da Netflix; esta pela complexidade e pomposidade do reinado britânico e todos seus detalhes, e Chernobyl por ser fascinante, inteligente, assustadora, triste e, acima de tudo, realista.

Desde o primeiro episódio os detalhes me chamaram a atenção não só pela forma que tudo era conduzido, mas também por terem o cuidado de – por mais impactante que fosse – retratar de forma real TUDO que aconteceu entre o antes e depois do maior acidente nuclear da história. Pra quem não sabe, ou não se aprofundou muito na história, o acidente em Chernobyl foi 400x mais grave que as explosões de Hiroshima e Nagasaki na segunda guerra.

Com um elenco estrelado, contando com Stellan Skarsgård (Thor), Jared Harris (The Crown) e Emily Watson (A Teoria de Tudo) a série trás com fidelidade um raio-x de todos os acontecimentos locais, inclusive da parte governamental da extinta URSS.


E é essa fidelidade dos fatos que fez com que, pelo menos eu, voltasse a estudar tudo sobre o acidente, justamente porque os dados até hoje divulgados pelo governo Russo, daquela época e de hoje em dia, divergem – e muito – da total realidade e gravidade do mesmo, principalmente no número de vítimas e nas mais tristes decisões que foram tomadas para que “algumas vidas, salvassem milhões”.

Até mesmo a representação da hoje cidade fantasma de Pripyat, a primeira atingida pela radiação, e tudo que ocorreu nela desde a explosão do reator 4 em 26/04/86, até na sua total evacuação, é extremamente detalhista.

A série se passa na visão do cientista Valery Legasov, na época um dos maiores especialistas nos reatores nucleares existentes em Chernobyl e que se tornou chefe da comissão que investigava o desastre do mesmo. É dele a grande maioria das decisões para se conter o desastre, e dele também a primeira afirmativa do tamanho do acidente perante ao governo.

Como o acidente partiu de um conjunto de falhas, inclusive humanas, os diretores da usina tentaram ocultar a real gravidade do ocorrido, o que não só causou um número maior de mortes, mas, no fim, o colapso da URSS.

Outro ponto importante da série se dá nas explicações e em vários momentos nas demostrações de como a radiação é perigosa. As cenas com os bombeiros e as mortes causadas pela radiação da usina impactam tanto quando um filme de terror, que foi real e até pouco tempo era escondido pelas autoridades russas.

Além disso, com exceção da personagem de Emily Watson, a cientista Ulana Khomyuk, que foi criada para representar toda a comunidade de cientistas envolvida no desastre, todos os nomes e personagens presentes são realmente as pessoas/vítimas de Chernobyl. E tenho certeza que durante a série você irá pesquisar um a um, e irá sentir ódio, tristeza, alívio e angústia, várias vezes.

Apesar de toda história ser – em partes – conhecida, existe um vídeo do canal Nostalgia, que deixo abaixo, que detalha um pouco mais sobre o acidente, e que é válido de se ver, mesmo antes da série.

Chernobyl se tornou um sucesso imediato justamente por todo o conjunto citado, mas também por entrar a fundo numa das partes mais sombrias da história do mundo sem medo de assustar os expectadores com seus detalhes e cenas impactantes ou confrontar governos com seus dados, se tornando assim uma das maiores obras históricas de conteúdo já feitos.

PS: Os créditos finais do último episódio abalam qualquer psicológico, e nos faz sofrer mais – de uma forma necessária – por um fato ocorrido a mais de 33 anos.

Uillian Magelahttps://estacaonerd.com
Co-Criador do Estação Nerd. Chamo ele de filho sim. Já fui crítico para o Blog Preguiça Alheia e para a CINEART. Palestrante nas edições da Campus Party. Mantenho a paixão por cinema desde criança e meu maior sonho é ter um sabre de luz para cortar a lua ao meio. A, SEMPRE escolha a pílula azul. Não faça como eu!

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