Crítica | Clickbait

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Clickbait é uma produção de oito capítulos que conta a história de um homem de família, aparentemente respeitável, que é sequestrado e forçado a aparecer em um vídeo viral admitindo um comportamento abusivo, alegando que morrerá se o vídeo chegar a 5 milhões de acessos. A produção levanta o seguinte questionamento: Você acha que conhece de verdade as pessoas ao seu redor? O suspense mostra os perigos da internet e das redes sociais, e estreia nesta quarta-feira (25) na Netflix.

Clickbait começa com uma trama simples, que vai se desenrolando em algo pra lá de trivial. A produção começa com o desaparecimento de Nick Brewer (Adrian Grenier) um fisioterapeuta e homem de família que mora em Oakland, Califórnia. No dia seguinte a uma briga com sua irmã, Pia (Zoe Kazan), um vídeo é postado e mostra Nick machucado com duas placas que dizem: “Eu abusei de mulheres” e “Com 5 milhões de visualizações, eu morro”.

Acompanhamos em oito episódios de 45 minutos cada, em média, o desenrolar das investigações, as consequências das descobertas e algumas reviravoltas da trama. Um diferencial dessa obra para as demais do gênero é que cada episódio mostra a trama de uma perspectiva diferente. Isso funciona bem em alguns episódios, mas em outros soa apenas como um tapa buraco que serve para aumentar o número de episódios. Talvez uma trama com apenas quatro episódios fizesse a trama soar mais urgente e mais objetiva. Clickbait tem uma premissa intrigante que mostra alguns perigos da internet durante a sua narrativa, algumas questões como a cultura do cancelamento, perfis fakes em rede sociais, roubo de dados digitais e outros perigos são mostrados mas nunca aprofundados de fato. O que é uma pena para o show que promete mostrar o lado obscuro da internet, mas nunca o faz com eficácia. A direção é competente e não ousa, mas também não comete erros absurdos.

O roteiro de Clickbait, consegue consternar e até chocar, não por sua história principal, mas por mostrar a completa insensibilidade das pessoas diante de uma tragédia, diante da dor do próximo. Tudo precisa ser registrado, compartilhado, tudo é feito pelo público afim de conseguir likes e engajamento. A representação disso é feita ao longo da série pelas pessoas que convivem com os personagens centrais e pelos jornalistas, que agem sem nenhum escrúpulo para conseguir uma matéria.

BEN KING / NETFLIX

Mas a obra é superficial, o roteiro falha ainda em não conseguir desenvolver bem todos os seus personagens. Todos aqui tem segredos, mas poucos são interessantes. Obras como Big Little Lies ou Mare of Easttown conseguem, com uma proposta semelhante desenvolver personagens com motivações e personalidades críveis, algo que não vemos acontecer aqui. A personagem de Zoe Kazan, por exemplo, é puro desespero em 80% da série, nos outros 20% ela é apenas irritante. O texto é genérico, mas nada ofensivo e a reviravolta final é boa, sua explicação também, mas realmente era necessário ter OITO episódios para contar essa história?

Clickbait tenta vender para o público uma proposta de suspense investigativo que trará revelações eloquentes e um debate sobre a internet, mas o que vemos no fim, é algo superficial sobre quase nada. Ao menos o título é honesto. 

Revisão Crítica

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

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