Após perder sua fazenda em um incêndio, um cowboy solitário (Josh O’Connor) busca refúgio em um acampamento provisório. Enquanto tenta se reconectar com sua filha e ex-mulher, encontra esperança na comunidade de vizinhos que também tentam reconstruir suas vidas.
O diretor e roteirista Max Walker-Silverman (Uma Noite no Lago) se inspira em sua própria história para construir a trama desta produção. A casa de sua avó foi destruída por um incêndio florestal e parte do enredo parte dessa reconstrução do lar. Para estrelar a produção, o maior acerto da produção foi a escolha do ator Josh O’Connor (Rivais). O’Connor dá vida a um homem simples e não permite que seu protagonista caía num melodrama que poderia ter tornar o filme piegas. Pelo contrário ele guarda suas dores e frustações, em um primeiro momento para se manter firme e no fim para ajudar aqueles que o cercam. O ator não usa verbalizações para externar seu desconforto, ele usa da linguagem corporal para mostrar que está mal ou para se impor quando precio. Uma atuação brilhante do ator, que vem enfileirando ótimos trabalhos no cinema.

O ponto de virada da trama (e coração da história) surge quando somos apresentados a sua filha do protagonista, vivida pela fofíssima Lily LaTorre (Apenas Corra). Assim como o rancho essa relação está destruída. O motivo pelo qual isso aconteceu, não é revelado. Mas a produção explora apenas a retomada dessa relação e a dinâmica deles rendem os melhores momentos do filme. Por fim, Amy Madigan (A Hora do Mal) entrega uma atuação repleta de ternura e encanta. A direção dá tempo é espaço para que seu elenco brilhe.
A trilha sonora e a fotografia são excelentes e exploram o sentimento de solidão. Os extensos silêncios mostram como aquele homem está em ruínas (emocionalmente e financeiramente). A fotografia hora usa uma grande lente para mostrar o vazio do ambiente, hora explora a câmera de modo mais íntimo, focando nas reações do elenco as situações apresentadas.
Depois do Fogo é uma verdadeira odisseia sobre a resiliência e a empatia humana. Um filme que mostra como a família é um dos maiores alicerces de alguém pode ter é como ela é importante para quem busca reconstruir seu legado e sua história. Filmaço!


