qui, 13 junho 2024

Crítica | Destemida

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Em Destemida (True Spirit), nova produção da Netflix, uma obstinada adolescente australiana (Teagan Croft) enfrenta seus medos e corre atrás do sonho de se tornar a pessoa mais jovem a velejar ao redor do mundo sozinha.

Filmes do subgênero drama esportivo tendem a apresentar histórias com apelo emocional elevado, realizados, na maioria das vezes, com esmero para fazer o público sentir empatia pelos personagens que são apresentados e suas situações. Mas, há situações em que a elevada carga dramática vem acompanhada de velhos clichês que, acumulados, transformam uma trama de superação e busca pela própria identidade ou perfeição numa cansativa mesmice. Dirigido por Sarah Spillane, Destemida (True Spirit) é um longa que consegue causar comoção entre o público, que se apega à história real da velejadora Jessica Watson, mas que também peca por acenar para uma simplicidade narrativa que vem acompanhada de trivialidades típicas em filmes estilo “Sessão da Tarde”, como situações de risco que são logo resolvidas, falta de seriedade perante uma situação deveras complicada, além da apresentação e a interação do núcleo familiar da protagonista, que, apesar do estereótipo de “família que apoia a heroína, mesmo sabendo dos obstáculos” e das frases de efeito ditas incansavelmente, funciona em tela por contar com atuações competentes.

A história de superação da jovem australiana Jessica Watson, que se tornou a veleadora mais jovem (na época, ainda uma adolescente de 16 anos) a arriscar cruzar o mundo sozinha em um barco de vela por 210 dias, sem fazer paradas, atraiu muito fãs na época. O objetivo da marinheira e veleadora era circum-navegar o planeta por 21.600 milhas náuticas, o que, infelizmente, não foram cumpridos, o que não deixou de tornar Jessica uma celebridade, ainda mais depois do lançamento de sua autobiografia, “True Spirit: The Aussie Girl Who Took On The World”, na qual o filme se baseia. A trajetória da protagonista é bem apresentada e desenvolvida ao longo de Destemida e o roteiro, assinado por Sarah Spillane, Rebecca Banner e Cathy Randall, utiliza bem a questão da fibra e perseverança da jovem, além de ter feito uma feliz escolha em contextualizar sua conexão com o oceano em flashbacks mostrando sua infância e seu processo de treinamento. Por outro lado, faltou um cuidado maior no que se diz respeito aos perigos enfrentados por Jessica, ao longo de 210 dias no mar aberto. O isolamento sofrido pela navegadora, inclusive, podia ter sido melhor explorado, com cenas mais impactantes mostrando as sequelas de estar sozinha em um pequeno barco a vela, carinosamente chamado de “Pink”, além dos desafios contra as forças da natureza. Não que esses conflitos, tanto internos quanto externos, não estejam no filme, mas podiam ter sido mais impactantes, o que daria a obra um tom mais realista do que prezar por um previsível otimismo.

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Teagan Croft e a Jessica Watson verdadeira. Foto: Reprodução

A inclusão de croma e efeitos em CGI em sequências mais movimentadas também não ajudam na imersão do filme, já que a qualidade destes é um tanto questionável, dando para perceber, em alguns momentos, que a personagem está sobre um fundo falso. Porém, a direção de fotografia tenta amenizar os maus efeitos computadorizados, entregando paisagens que ostentam luzes e reflexos na água.

Tanto Teagan Croft quanto Alyla Browne possuem o espírito aventureiro essencial para representar Jessica Watson em tela. As atrizes, que interpretam a veleadora na versão adolescente e criança, respectivamente, são bem ativas, além de espontâneas, principalmente Croft, que segura o filme sozinha por mais tempo. Outras notáveis aquisições ao elenco são Anna Paquin, que brilha como a preocupada e esperançosa mãe da protagonista, Julie Watson, e Cliff Curtis, o treinador de poucas palavras e introvertido de Jessica, Ben, que também é um personagem fictício, que representa os membros do time que treinou a garota desde a infância, incuído na trama para facilitar uma melhor interação entre a protagonista e um profissional que a inspirou. Vale destacar que Josh Lawson, qe vive o pai de Jessica, Roger, também tem seus bons momentos ao longo da trama.

Josh Lawson, Anna Paquin e Teagan Croft em “Destemida”. Foto: Netflix/Reprodução

Destemida pode funcionar mais com o público mais jovem, ou com aqueles que guardam dentro de si um insaciável espírito aventureiro. De fato, a história de Jessica Watson é inspiradora e o filme capta bem a sua mensagem. Só faltou navegar mais para se distanciar de clichês de dramas esportivos, ou até mesmo se aventurar por águas mais turbulentas, para dar uma carga dramática maior à trama, além de caprichar na qualidade de seus efeitos.

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