
Em Dolly: A Boneca Maldita (2026), Macy é sequestrada por uma figura perturbada e monstruosa, que a confina para moldá-la como sua filha. Macy precisa sobreviver à tortura psicológica e física dessa entidade que mistura traços humanos e de boneca, lutando para escapar desse ambiente controlador.
O diretor Rod Blackhurst (Mergulho Noturno) tenta construir algo criativo dentro das limitações financeiras do projeto e até consegue. A trama, dividida em capítulos, é simples e objetiva mas nunca consegue desenvolver seu completo potencial, por apresentar escolhas narrativas bem questionáveis. O ponto mais fraco dessa equação é a construção dos personagens principais. Eles são pouco desenvolvidos, com motivações rasas e os seus dramas soam falsos. Com isso, não existe envolvimento emocional, o que faz o público não se importa com quem está em perigo.

Para compensar isso a narrativa aposta suas fichas no terror e tensão das cenas e cria bons momentos que variam entre a violência explicita e a sugestiva, que ocorre pelo baixo orçamento. A vilã é outro destaque. Dolly é brutal e o seu visual é chocante, gerando um medo genuíno. A fotografia granulada é outro acerto, ao conseguir dar um ar de produção dos anos oitenta, mesmo sendo perceptível que seu uso é mais para esconder falhas no cenário e na ambientação, do que pelo apuro estético.
As atuações são honestas dentro do que o material pede. Max Lindsey (The Worlds Divide) acaba sendo o grande destaque da produção e ofusca nomes conhecidos como Seann William Scott (American Pie: A Primeira Vez é Inesquecível) que atua no piloto automático.
Num resumo honesto, Dolly: A Boneca Maldita é uma boa pedida para os fãs de terror slasher que gostam de produções independentes e ideias ousadas. Mas é difícil ignorar este projeto nunca alcança seu total potencial e deixa a sensação de que poderia render algo mais interessante e marcante.


