Baseado num dos grandes sucessos da carreira de Jorge Amado, o livro que este ano completa 50 anos de lançamento, já teve adaptações para a televisão, teatro e um filme que foi protagonizado por Sonia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, sob a direção de Bruno Barreto e se tornou a maior bilheteria do cinema nacional até 2011, quando Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro ultrapassou sua marca, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1967) é um clássico do cinema nacional.

Neste remake, a história gira em torno de Dona Flor (Juliana Paes), professora de culinária casada com o malandro Vadinho (Marcelo Faria), que possui uma vida regada a noitadas, jogatinas e acaba morrendo precocemente nas ruas de Salvador. Estando viúva, Dona Flor se casa novamente com um homem que é totalmente o oposto de Vadinho, um pacato farmacêutico da cidade, Teodoro (Leandro Hassum). Apesar da devoção de Teodoro, Dona Flor sente falta de Vadinho, que, apesar de boêmio, era um ótimo amante.

O filme assim como o original, acerta ao seguir a cronologia invertida começando o filme pela morte de Vadinho, vestido de baiana em pleno carnaval. Seu romance com Flor vem em flashback e depois seguimos com Teodoro, para enfim, encarar a situação do triângulo amoroso inusitado.

Trio de protagonistas em ação

Outro ponto positivo do filme é o elenco principal, Juliana Paes é capaz de retratar, a doçura e sensualidade de Dona Flor. Marcelo Faria, está à vontade interpretando Vadinho, o mesmo encenou por mais de cinco anos o personagem em peças de teatro, atuar completamente despido não parece ter sido um problema para o ator,  já que ao retornar dos mortos Faria permanece nu até o fim da projeção. Desnecessariamente, em alguns momentos o público vê relances das partes íntimas do ator, além de uma cena na qual todo seu corpo é exibido (TODO, tudo mesmo). O que é algo que pode incomodar os mais conservadores. Dos trio de protagonistas Leandro Hassum é o que decepciona, o ator se esforça para manter a seriedade em um personagem que não é comum para sua cinebiografia, porém em vários momentos acaba escorregando no sotaque e nas cenas de sexo acaba revelando o velho Hassum que conhecemos com suas caras e bocas, o que arranca risadas (algumas, friso por de constrangimento).

Um erro gravíssimo da nova adaptação é a romantização da violência doméstica. Mesmo sofrendo abusos e agressão física, a personagem de Paes continua idealizando Vadinho, mesmo com a justificativa de que a trama se passa na década de 40 isso é inaceitável para uma sociedade que luta por combater este tipo de prática.

Outro erro dos produtores é a escolha da trilha sonora, que é mais pobre do que o da pior novela do SBT, é basicamente se resume a “Isso aqui tá bom demais” de Dominguinhos para as cenas alegres e “É o amor”’ de Maria Bethânia para as cenas de sexo romance. Isso faz com que o filme se torne repetitivo. A fotografia e direção são razoáveis, não comprometendo o filme.

No geral, Dona Flor e Seus Dois Maridos é um filme bom. Serve como homenagem ao original, mas só com o tempo veremos se ele irá repetir o sucesso de bilheteria do original.