Crítica | Dora e a Cidade Perdida

Criada há vinte anos pela Nickelodeon, Dora, A Aventureira, vem arrastando multidões desde então. Brinquedos, cadernos, roupas, biscoitos e tudo que se possa imaginar, já ganhou uma versão da tampinha destemida. Assim, Dora e a Cidade Perdida vem não só como uma produção caça-níquel, trazendo de volta as mesmas velhas ideias utilizadas por milhares de filmes, mas também homenageia de forma aceitável o sucesso da animação que sobrevive até hoje na memória de adultos, jovens e crianças.

Dora (Isabela Moner) é uma garota que vive na selva com seus pais (interpretados por Michael Peña e Eva Longoria) que, ao aceitarem encarar uma nova aventura, em busca da cidade perdida de Parapata, resolvem que sua filha deve ficar com sua tia, na cidade. Lá, ela reencontra seu primo, Diego (Jeff Wahlberg), com quem vivia as mais valentes aventuras, quando criança. Ele é encarregado de fazê-la se adequar ao comportamento tradicional dos jovens locais, e lugar melhor para tal dever seria a escola. E assim começamos uma tradicional comédia colegial, onde protagonistas tentam se encaixar em grupos que melhor lhe sirvam. Certo? Errado. Todo clichê é totalmente adequado a condição de Dora, uma forma inteligente de sair do tradicional. O mesmo ocorre na introdução dos antagonistas: Sammy (Madelaine Madden), a típica garota inteligente, interessada por causas nobres e que tem leve queda amorosa por Diego, Randy (Nicholas Coombe), o nerd esquisito que sempre faz algo que ninguém faz, e Alejandro, um esquisito professor universitário, amigo dos pais de Dora.

Após um rapto, Dora e seus recém formados amigos, descobrem a existência de pessoas que procuram por Parapata, uma cidade totalmente feita em ouro, alvo da expedição de seus pais, de quem foge. A partir deste momento, o longa é uma sucessão de mesmices, numa trama pouco convidativa e cheia de frases de efeito. É correto afirmar que a produção é voltada ao público pré-adolescente, mas chega a aborrecer a total ausência do senso de perigo: chegam num local, aparece um problema, ninguém teme nada, alguém resolve. Fim. Ao menos um destes momentos é extremamente memorável, quando há uma alucinação por parte do elenco, ao entrar em contato com pólen. Psicodelia pura.


James Bobin, diretor, soube aproveitar bem a marcante presença da atriz Isabela Moner, que provavelmente ficou com dores de coluna por carregar todo o filme para si. Ela é o destaque do filme e já mostrava ser uma atriz ao qual devesse ficar de olho, desde o último Tranformers (Michael Bay), uma das pouquíssimas novidades da franquia. Um dos grandes pecados do filme é a inserção dos personagens Botas e Raposo, animais falantes cujo CGI beira o absurdo, contrastando de forma negativa com o que já estava equilibrado.

Dora e a Cidade Perdida faz uma releitura bem sutil de filmes do gênero, adaptadas aos padrões da animação de sucesso. Com muita certeza, o resultado ao sair da sessão, será de voltar pra casa fazendo uma canção, como a personagem bem faz.

NOTA

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