Crítica | Duas Rainhas

Escrito por Beau Willimon e dirigido por Josie Rourke, Duas Rainhas nos apresenta drama e grandiosidade reais típicos do século XVI para retratar a conturbada (e conhecida) relação das primas rainha Elizabeth I (Margot Robbie) e Mary Stuart (Saoirse Ronan).

Mary, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra.Desde os primeiros minutos, fica claro que o foco de “Duas Rainhas” está na estética, no quesito maquiagem e penteados. Não foi à toa a indicação ao Oscar da categoria. Ele brilha em tudo visualmente: penteados com cabelos reais, perucas e maquiagem. Especialmente da personagem de Margot Robbie, sofrendo uma verdadeira transformação na pele em algumas cenas. Pude ouvir dentro da sala que assisti, alguém levantar como debate o fato de terem conseguido deixar a Margot feia. Na minha opinião, nem mesmo nessas cenas com maquiagem realista, ela ficou feia.
Porém, fazer um filme não se resumisse apenas a isso, e caso fosse, provavelmente o Oscar seria uma premiação de videoclipes, e não de cinema.


A história parece não saber o que quer mostrar ou dizer, contradizendo alguns aspectos que ela mesma referência anteriormente. Sem falar na resolução instantânea de vários conflitos menores, que poderiam aumentar a dose de drama, mas perdem todo o seu propósito ja que acabam não implicando consequências diretas. Um exemplo disso é: Mary é uma rainha corajosa dentro de sua corte, mas seu meio-irmão conspira contra ela, toma seu trono, e na cena seguinte já é perdoado. São momentos assim que deveriam ter algum peso maior, mas que não existem graças a uma direção falha.


E falando em falha, o título “Duas Rainhas” vende uma ideia completamente errada de que ambas as rainhas dividirão o protagonismo. O título original “Mary Rainha dos Escoceses”, em tradução livre, faz muito mais sentido, afinal, grande parte do filme é dedicada a contar a história da personagem de Saoirse Ronan. Ainda assim, o ponto alto do filme é o encontro entre as duas, que infelizmente acontece tarde demais para salvar uma produção que já apresentava sérios problemas de ritmo.

A inserção de empoderamento feminino, discussão sobre casamento, maternidade, mulheres em estado de poder, protestantismo vs. catolicismo e outras coisas torna impossível desenvolver tudo satisfatoriamente. E inserir tantas subtramas quando o assunto principal deveria ser melhor explorado (o tempo de tela dado a Margot como Elizabeth e sua corte mostra-se irritantemente curto) é frustrante.

Contudo, a produção traz performances avassaladoras de dois grandes nomes femininos do cinema atual. Na qual, vale a pena conferir nas telonas a dupla que brilha nos papéis das “irmãs” e rainhas e também inimigas.
Para encerrar, segundo os dizeres da época, “uma rainha não tem irmãs, apenas um país”.

Nota:

Deixe sua opinião!

INSTAGRAM

AS MAIS LIDAS

Os 10 melhores filmes de 2018

A cada ano que passa somos surpreendidos com filmes cada vez melhores. Muitos, claro, já são aguardados por serem alguma continuação. Outros são ótimas...

Os filmes mais esperados de 2019

Primeiro dia do ano, mas já tem gente fazendo planos futuros pras estreias que acontecerão no cinema. Algumas delas, aguardadas desde 2018! Confira nossa lista...