ter, 20 setembro 2022

Crítica | Dupla Jornada

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Um filme que conta com autoparódia é o tipo de produção que não costuma focar muito na profundidade temática ou sentimental da história, o importante é entregar um entretenimento consciente do quão ridículo e bobo está sendo tudo em tela e se divertir consigo mesmo enquanto diverte o telespectador. Esse método de contar uma história caiu muito nas graças do público e mais um título com essa premissa chega com Dupla Jornada, produção da Netflix dirigida pelo estreante J. J. Perry e com roteiro de Tyler Tice e Shay Hatten.

Na trama, somos apresentados a um mundo que vampiros existem e são caçados, acompanhamos a trope já famosa da “dupla improvável” de Jamie Foxx como Bud Jablonski, um limpador de piscinas que trabalha um segundo turno caçando as criaturas da noite e Dave Franco como Seth, um representante de sindicato. A direção de Perry consegue ser interativa, nos entregando uma comédia física que encaixa muito bem no que o longa quer nos passar, o diretor brinca com os conceitos de gore e tira o máximo de proveito com a quantidade de tripas, acrobacias e sangue na nossa tela. Porém, mesmo com uma competência minimamente charmosa por trás das câmeras, o longa peca muito em nos entregar o mínimo de sabor.

Netflix/ Divulgação

Não existem muitas explicações para a existência dos sugadores de sangue neste universo, não que seja necessário, a trama está muito mais focada em, como dito no início, se divertir com sua própria ideia absurda e nos entregar um entretenimento simples mas eficiente. Esta segunda parte que talvez seja o maior problema do filme, diferente de outras obras com essa visão de autoparódia como Zumbilândia, Dupla Jornada soa mais como um filme feito não por pessoas que trabalharam para nos entregar tal diversão, e sim um algoritmo que planejou elementos previamente conhecidos e colocou tudo numa trama de duas horas. Apesar de todo o ponto de “filmes farofas” ser não pensar demais sobre, a produção segue um padrão já visto em muitas outras da Netflix, usando a mesma analogia, a farofa neste caso é uma sem gosto, que você não sente o sabor em consumir e apenas seguiu um checklist do que em teoria deveria fazer um filme assim divertido para ser um sucesso.

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Dupla Jornada é um filme com uma maquiagem charmosa e engraçadinha de filme autoparódia, mas não consegue esconder um cinismo claro de que nada do que vemos na tela é uma diversão sincera, um ótimo filme se quiser perder duas horas da sua vida, um péssimo se quiser uma diversão despretensiosa.

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