Crítica | Ela Disse, Ele Disse

Em meio a uma tonelada de blockbusters e super-heróis, gênero quase que obrigatório na cultura pop atual, sobretudo entre jovens, chega às telonas um longa com um vilão extremamente poderoso: a adolescência. E é nesta temática tão bem abordada nas obras de Thalita Rebouças que “Ela disse, ele disse” marca ponto positivo, trazendo os medos, anseios e paixões desta fase complicada da vida.

Se uma palavra fosse usada para definir este filme, certamente seria “clichê”. Praticamente tudo que foi escrito pode ser encontrado em diversos filmes e séries, embora o roteiro seja adaptado fielmente por Tati Ingrid Adão. O filme conta a história de Rosa (Duda Matte), uma garota insegura que tem tal sentimento aumentado por ser aluna novata numa escola onde não é percebida pelos colegas. Tudo muda quando Léo (Marcus Bessa), recém-chegado, se aproxima dela, quebrando as barreiras da timidez e fazendo seu coração pulsar um pouco mais rápido. Na medida em que o primeiro ato vai se desenrolando, a montagem nos apresenta os antagonistas Júlia (Maisa Silva) e Rafa (Matheus Lustosa), bastante atuantes.

No clímax, vemos uma troca de olhares crescente entre os protagonistas e, à medida que se tornam mais próximos, Júlia aparece e tenta interferir no relacionamento. As atitudes dos personagens chegam a parecer uma montanha russa, extremas e complicadas de entender. Alguns podem tomá-las como defeitos da direção (Cláudia Castro), mas não passam de atitudes “adolescentes” e, sendo assim, perfeitamente compreensíveis, ainda mais quando se tem o recurso da quebra da quarta parede, quando os personagens conversam com o público. Desta forma, o filme se torna mais gostoso de assistir, além de relevar possíveis defeitos que o roteiro possa ter, quanto à ser explicado demais ou prender-se às convenções do gênero e facilitações, como pode ser visto na resolução do problema criado no segundo ato.


Ela disse, ele disse cumpre o que Thalita Rebouças quis repassar ao seu público com primor, entretendo e divertindo, sobretudo ao utilizar um elenco atual e representativo, nos mostrando os pontos de vista masculino e feminino, desta barra que é viver às escolhas, à liberdade de fazê-las. Aliás, esta adaptação vem acompanhando uma ótima fase do cinema brasileiro e ainda conta com a presença de Fernanda Gentil, da Youtuber Bianca Andrade e Ana Maria Braga. Chega às telonas em 3 de outubro.

NOTA

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