Crítica | Encontros

Comédia romântica que narra a história de dois protagonistas e suas desventuras, cheia de desencontros e encontros, não necessariamente nesta ordem. Parece uma sinopse bem resumida da fórmula padrão de filmes do gênero. Só parece. Com estréia para o próximo dia 3, Encontros, o novo filme do Francês Cédric Klapisch (Albergue Espanhol) surpreende, reestruturando toda a fórmula clichê vista até então e entregando uma história e personagens com camadas profundas, reflexivas e libertadoras.

Rémy é um cara não muito descolado, não se relaciona afetivamente com facilidade (por escolha própria), mas que tem uma vida profissional mais sociável, preocupado com o bem estar seus colegas. Ele não consegue dormir direito. Mélanie é uma pesquisadora brilhante, que trabalha num laboratório cedido por um hospital. Nunca superou o término de seu último relacionamento e o sentimento de luto crescente só a vem prejudicando, social e profissionalmente. Para amenizar, usa frequentemente aplicativos de relacionamento. Ela dorme demais. Rémy e Mélanie moram lado a lado mas nunca se viram, se falaram, até uma série de acontecimentos fazer com que os dois reavaliem suas prioridades, seus passados e prioridades, reaprendendo a viver.

Com roteiro do próprio Cédric e do Argentino Santiago Amigorena, o filme ganha pontos altos, sendo bem dosada a relação entre a problemática dos personagens, traumas de infância, como estes traumas refletem na atual situação dos dois, a visão que têm de si e o questionamento de seus papéis na sociedade ao qual estão inseridos. Pode-se dizer que são sintomas da famosa “Crise dos 30”. Após acontecimentos no primeiro ato, o diretor opta por exibir as diversas camadas de cada um de forma primorosa, sendo relevantes à trama à medida em que são necessárias, evitando exposições baratas e desnecessárias. O ritmo é bem calmo, bem equilibrado, e essa equivalência é conseguida através de elementos metafóricos, ora utilizados como alívio cômico, ora como parte integrante da jornada de Rémy e Mélanie.


E falando neles, seus intérpretes, François Civil e Ana Girardot, estão excepcionais, carregando o peso de seus traumas, percebidos em suas ações e estampados em seus rostos cansados, apáticos e sobrecarregados por conta da ansiedade e da depressão, subtemas tratados de forma impecável pela direção/roteiro. Aliás, se tudo neste filme está muito bem, deve-se aplaudir de forma exagerada a edição que, se mal executada, faria o público cochilar em alguns momentos.

Encontros é um daqueles filmes que pega de surpresa, por ter uma temática “mais do mesmo”, frequentemente bombardeada por filmes Hollywoodianos fracos, mas que é executada com tanta competência que chega a ser estranho não ter ouvido falar de sua produção e desenvolvimento antes. Distribuído pela Imovision, o filme conta com quase duas horas de uma história tão comum, que nos faz reavaliar os mesmos pontos tratados na trama. É uma das grandes surpresas do ano.

NOTA

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