seg, 3 outubro 2022

 Crítica | Entre Rosas

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A dinâmica entre indústria e negócios familiares é uma questão a se pensar no mundo de hoje. O monopólio de certos serviços na mão de um número limitado de pessoas pode significar na visão de uns uma manutenção no padrão de qualidade e na de outros uma padronização nociva para o mercado na medida em que uma única visão limita possibilidades. É partindo desse ponto que entramos na história de Entre Rosas. Acompanhamos Eve(Catherine Frot), uma produtora de rosas que luta para manter os negócios da família abertos apesar da forte concorrência de uma empresa rival que cada vez mais parece monopolizar a cena. 

   O desespero da protagonista resulta na contratação de três novos funcionários para auxiliar no trabalho que até então era feito apenas por ela e sua assistente. No entanto, o que Eve não poderia prever é que todos os contratados são ex-detentos em processo de ressocialização. Os funcionários deverão ser instruídos nas suas devidas funções enquanto Eve tenta se reconectar com a paixão sentida pelo trabalho de sua vida. A relação destas novas pessoas com a protagonista poderia representar novas e diversas formas de aprendizado para os personagens mas o foco da narrativa acaba ficando apenas na dinâmica de Eve e Fred(Melan Omerta). Véra e Samir(os outros funcionários) ao longo da trama vão acabar servindo mais como complemento para as situações do que um foco de desenvolvimento sólido. A troca de Eve e Fred um com o outro na medida em que a teimosia da chefe e o ressentimento do jovem entram em choque é a dinâmica que dita os acontecimentos de boa parte da história.

   A estética de cores saturadas para ressaltar a atmosfera criada pelas rosas e a fotografia aconchegante do longa são pontos de equilíbrio. O roteiro, no entanto, não vai muito além de clichês ao se apropriar da dinâmica de mestre e aprendiz improváveis que tanto já se viu. Fred é representado como uma pessoa de vida dura e de personalidade desconfiada que na realidade esconde uma sensibilidade fora do comum. Enquanto Eve é uma pessoa que entende muito sua arte mas se sente perdida e desiludida com a vida. Esses arquétipos não são novidade e a forma que a relação dos dois é levada possui sim alguma sensibilidade mas longe de ser marcante. 

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   A oposição entre a determinação de Eve e a expansividade de seu rival, Lamarzelle, perde a oportunidade de dar profundidade ao discurso do longa na medida em que retira qualquer contextualização do embate entre os dois. Lamarzelle é apenas expansivo e sedento pelos serviços de Eve por ser; e a protagonista possui uma raiz sentimental em sua determinação que poderia ser melhor explorada no tempo que o filme dá para a personagem, a relação com seu pai que é a origem de suas questões é mais explicada do que sentida no longa.

Entre Rosas é um filme leve e de fácil digestão que planifica todo o conteúdo que se propõe a desenvolver. Seja a questão envolvendo aprendizado pessoal ou o embate entre tradição e massificação, não existe uma profundidade que permeia as discussões. O que o longa oferece é pura e simplesmente uma experiência palatável que visualmente gera conforto.

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