Crítica | Era uma vez em Hollywood

Na vida, tudo tem dois lados, inversos, opostos, contrários, extremos. Não é diferente quando falamos de cinema, aliás, divergências são básicas e fundamentais para sua manutenção. Mas quando o assunto é Quentin Tarantino, não existe meio termo, é um dos mais amados e aclamados justamente por fazer parte de um seleto grupo de cineastas que usam com maestria a metalinguagem e a ironia, sem deixar de pontuar referências de suas obras favoritas. É impossível não perceber nada ao assistir algum de seus filmes: desde Cães de Aluguel, Pulp Fiction, passando por Kill Bill, Django Livre e Os Oito Odiados. Porém, assistir Era Uma Vez Em … Hollywood, para alguns, pode ser um trabalho árduo, ainda mais para quem não é íntimo da sétima arte e mal chegou aos trinta anos. O filme se passa no final dos anos 60 (mais precisamente em 1969), é poca em que importantes mudanças no audiovisual, sobre tudo TV e cinema, estavam tomando forma: ascenção de grandes produções (séries de Tv, blockbusters), reconhecimento de novos atores e diretores, sobretudo estrangeiros, assim como queda de muitos outros. Um deles é justamente Rick Dalton, interpretado perfeitamente por Leonardo diCaprio, atuando de tal maneira que, às vezes, ficava difícil saber se ele estava contando a história de seu trajeto ao Oscar ou de seu personagem. Dalton foi um ator dito “da velha forma”, termo que remete à forma de que o cinema vinha sendo feito, neste período de transição, produções com pouco esforço técnico, sem muitas inovações: o mais do mesmo. Assim, sua carreira entrava em declínio, tendo que se adaptar ao novo cinema de forma gradativa, com papéis de pouca relevância. Ao seu lado, o amigo e dublê Cliff Booth (Brad Pitt), mais conselheiro e pé no chão, trabalhava fazendo bicos e resolvendo pequenos encalços na vida do Rick. Ainda protagonizando o elenco, temos Margot Robbie, menos atuante, na pele de Sharon Tate, na época, mulher de Roman Polanski, altamente conhecido, na época (e atualmente), pelo exímio O Bebê de Rosemary.

A direção opta por interligar as três histórias de forma extremamente sutil, focando no cotidiano dos amigos e deixando a trama da Sharon de lado a maior parte do tempo. Na verdade, não se sabe ao certo o que Tarantino pretendia com um roteiro tão não-linear. Toda montagem e fotografia estão excelentes, como se vê em outros filmes do diretor, principalmente nos cortes feitos quando há uma conversa atípica, resgatando uma memória ou referenciando algo (muito comum em Kill bill). São 165 minutos que podem passar rápido ou demorar uma eternidade, isso dependendo da intimidade de cada um com os acontecimentos que estavam por vir.

Voltando ao final de 60, temos o declínio no movimento Hippie, depois que integrantes da Família Mason assassinaram Sharon Tate, pondo os ideais de paz, de amor ao próximo, no limbo. Essa informação se torna um pouco irrelevante, visto que até então, a direção havia optado em se debruçar no desenvolvimento da situação em que se encontrava Dalton, mendigando papéis e pontas em novas produções, como quando toma um choque de realidade de Marvin Shwarz (Al Pacino, totalmente desperdiçado).


Em seu terceiro ato, vemos uma composição de cenas mais autorais e clássicas, daquelas que se ri de nervoso e gargalha pela situação atípica, levando o filme do drama à comédia num estalar de dedos que nem o Thanos (ou Tony) faria melhor. Era uma vez em … Holywood é um filme longo, com poucos altos e baixos que, seria um fracasso entediante na mão de outro diretor. Pelo contrário, Quentin Tarantino equlibra tudo que ja produziu neste longa, desde seus famosos diálogos minimalistas, passando por uma história que te entrega o que promete, até chegar ao gore malandro e cheio de referências. Um prato cheio para amantes do cinema e um alô para a Academia em 2020.

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