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    Crítica | Euphoria (2ª temporada)

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    Complexa e excepcional são alguns dos elogios que devem ser feitos, com razão, a segunda temporada de Euphoria. A produção da HBO é um fenômeno! Porém essa nova temporada apresentou problemas não antes enfrentados pela temporada anterior e também episódios especiais. O novo ano mostra Rue precisando encontrar esperança enquanto tenta equilibrar as pressões do amor, perda e vício. Na festa de ano novo, Rue e Jules conseguem finalmente acertar as diferenças e se reconciliar, mas a recaída de Rue nas drogas pode colocar o relacionamento das duas em perigo.

    A primeira temporada mostrou de modo visceral diversos temas que permeiam a vida dos adolescentes. Temas como: drogas, sexualidade, busca de aceitação, relacionamentos abusivos e outros foram tratados de modo crível e, às vezes até, cruel pela direção e texto do criador da série Sam Levinson (Malcolm & Marie).

    A nova temporada inicia mostrando as consequências dos atos da temporada passada na festa de ano novo e a partir daí o caos reina. Vemos o surgimentos de novas dinâmicas e novos dramas são abordados, tudo isso com muita maestria. Levinson sabe como filmar suas cenas e deixar o espectador, inteiramente, imerso na sua narrativa. A montagem é ágil e adiciona uma dinamicidade a história que não deixa o espectador se desligar do que é apresentado e faz os 60 minutos dos episódios passarem voando. A fotografia repleta de tons frios e o design de produção são impecáveis.


    O diretor sabe filmar e faz um uso de uma câmera que a todo momento se movimenta, colocando o espectador como participante de diversos momentos da história. Os planos sequência usados, como o da cena de abertura, são primorosos e muito bem gravados e inseridos. Levinson faz uso dessas habilidades por saber fazer e saber inserir elas no contexto que deseja apresentar. Nada é colocado na produção de modo gratuito, tudo tem um propósito. A trilha sonora é outro elemento chave e se torna um potencializador enervante do que assistimos na série. Canções como “I Know There’s Gonna Be” inserida na cena na qual Rue desafia a gravidade, mostrando os efeitos das drogas, “Fly Me to the Moon” que ouvimos na cena na qual a personagem de Zendaya fala sobre os momentos bons e ruins que ela enfrentou e “Dead of Night” que toca no carro de Nate Jacobs, deixando a sensação de que algo de terrível irá acontecer – e que acontece, são alguns dos vários momentos marcantes apresentados. Figurinos e maquiagens estão mais densos e mostram como essa temporada é mais sombria em relação a anterior. Mesmo falando de temas pesados, a primeira temporada tinha seus momentos de ternura, aqui no novo ano eles são quase que inexistentes.

    A proposta da segunda temporada é a de aprofundar as personas apresentadas na temporada anterior, porém o texto escrito pelo próprio Levinson em parceria com Augustine Frizzell (Stoned Alone), Jennifer Morrison (House) e Pippa Bianco (Share) se complica por omitir diversos arcos, apresentar novas dinâmicas que não soam tão verdadeiras e eliminar alguns personagens da trama sem cerimônia. O ator Algee Smith (Mother/Android) depois do primeiro episódio desaparece da série sem qualquer explicação. Barbie Ferreira (Nope), que faz a Kat se torna quase que uma figurante de luxo e o arco de sua personagem é aniquilado da nova temporada, deixando ela sem função narrativa. Os motivos por trás disso, não serão discutidos aqui, mas atrapalham a história. Mas nem todas as mudanças são ruins, personagens menores da primeira temporada ganham mais espaço e seus arcos agradam. Fez vivido por Angus Cloud (The Things They Carried) e Lexie interpretada por Maude Apatow (A Arte de Ser Adulto) ganham espaço e conquistam, mostrando quem são, suas dores e seus desejos.

    Os destaques da temporada passada retornam para aprofundar seus dramas. O personagem de Jacob Elordi (A Barraca do Beijo) retorna como o manipulador frio e violento, que é assim devido aos traumas que tem com o pai, seu arco se mistura com a da grande estrela desse ano: Sydney Sweeney (The Voyeurs). A atriz está MARAVILHOSA na composição de sua personagem que é usada pelo personagem de Elordi apenas para afirmar sua heterossexualidade. Sweeney transita com perfeição entre o arrependimento e desejo de ter um romance com o ex da sua melhor amiga. A atuação de Sweeney é ESPETACULAR e merece receber todos os prêmios possíveis. Por fim, temos Zendaya (Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa) mais à vontade do que nunca no papel no papel que lhe deu o Globo de Ouro de melhor atuação, a atriz novamente apresenta sua personagem como alguém que sofre e que busca nas drogas uma paz que ela não tem. A narrativa sobre a dependência química x discernimento do que é certo e errado, novamente são a bússola que traçam o caminho da personagem vivida pela atriz.

    O segundo ano de Euphoria apresenta uma narrativa sobre amadurecimento através da dor. É algo sombrio, cruel e bastante real. A narrativa apresentada por Rue, aparentemente se encerra. Que a terceira temporada seja lançada logo e revele o que o futuro reserva a esse grupo e para nós espectadores.

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    1 COMENTÁRIO

    1. Pra mim, a Sydney Sweeney merece levar pelo menos algum prêmio esse ano, ela deu um show no papel da Cassie… na minha humilde opinião, ela e a Maude Apatow levaram a temporada nas costas!

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