Crítica | Exército de Ladrões: Invasão da Europa

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“Achado não é roubado” é como dizem por aí. Porém, se algo é propositalmente encontrado e tomado, será isto considerado como um roubo? De qualquer maneira, não existe essa moralidade quando se fala em encenar grandes golpes. Dos mais solitários (Um Dia de Cão, 1975) aos mais mágicos (Truque de Mestre, 2013), os assaltos, principalmente a bancos, não passam despercebidos nas mentes criativas tanto de cineastas quanto de comuns transeuntes. Logo, é possível envolver o ato em uma aura fantasiosa que beira o misticismo, enquanto também há a chance deste ser desenvolvido com uma fachada cômica e sem compromisso total com o apelo dramático em primeiro plano. Visto isso, Exército de Ladrões: Invasão da Europa (2021), de Matthias Schweighöfer, chega como uma sugestão espirituosa sobre a forma de se tratar um crime dessa proporção. 

Prelúdio da produção da Netflix dirigida pelo conhecido Zack Snyder, Army Of The Dead: Invasão em Las Vegas (2021), e semelhante a um spin-off, este novo filme mira em um dos membros da gangue do longa-metragem originário: Dieter (Matthias Schweighöfer). Sendo um ponto de conexão entre os dois universos, o personagem de 6 anos antes de Army Of The Dead aparece resumindo sua história, que parte de um amor aficionado por cofres. Após essa paixão ter sido descoberta, uma mulher, Gwen (Nathalie Emmanuel), o convida a se juntar a um grupo especializado em saques bancários, oferecendo-lhe a vital função de descobrir a senha do local em que o dinheiro é mantido. Proposta aceita, a equipe sai em busca de feitos cada vez mais significativos ao mesmo tempo que tornam-se os ladrões mais requisitados pela polícia internacional, a Interpol.

Trocando zumbis por uma realidade menos inimaginável e levando em conta o criador da franquia estreante, a obra tende a se enviesar pelo lado de uma ação cômica. Partindo da óptica do trabalho de Snyder, Schweighöfer deveria ter seguido por um caminho esteticamente vibrante e carnalmente exagerado. Entretanto, em uma Europa que só é exposta na chuva, o artista preferiu escolher cores mais sóbrias e uma violência mais contida. Ainda que haja uma estilização na imagem, que segue interativa com seus letreiros com animações que transpassam a tela, dentre outros elementos; memorando filmes como O Esquadrão Suicida (2021), aqui a sutileza é maior. A câmera tremida em momentos de combate está lá, igualmente o sangue que jorra. A diferenciação acontece nas proporcionalidades em que tais artifícios são explorados, e em Exército de Ladrões, estes são comedidos. 

O único fator que não é tão ponderado, está na presença de Dieter. O personagem, estrela do filme matriz e protagonista neste outro, esbanja um carisma que traz até para alívios hilariantes fora de hora, uma graça especial. Apesar de ter uma rotina mal especificada no início do longa-metragem, com Dieter realizando apenas alguns afazeres como tomar café, dando a entender que a monotonia faz parte de seu cotidiano, os trejeitos e cacoetes de sua figura são conectivos com o tipo de personagem para quem se torce no final. Suas “esquisitices” compõem uma personalidade exótica, que, junto com o temperamento de femme fatale da misteriosa Gwen, intepretada por Nathalie Emmanuel, conseguem o status de um casal que, além de se complementarem, merecem estar juntos. Aliado a dois bons indivíduos centrais, está também o “time” em que ambos estão atrelados: Korina (Ruby O. Fee), a jovem dj inexpressiva que profere palavras – em sua maioria chulas – em português; Rolph (Guz Khan), bruto mas perto do que seria um “bonzinho”; Brad Cage (Stuart Martin), a amálgama imaginária (segundo o próprio) entre Brad Pitt e Nicolas Cages, e o verdadeiro antagonista dentro do grupo. Ainda que sejam estereótipos, não há necessidade de um desenvolvimento elaborado para constituintes que funcionam entre si, e como a face de uma “facção” que transparece bondade, mesmo com finalidades duvidosas.

Infelizmente, tais clichês sustentam-se quando os cinco estão juntos, porém não quando se diz respeito à trama. O vilão superficial e as motivações para os ocorridos tão rasas quanto, por exemplo, fazem do longa-metragem uma unidade pertencente ao conglomerado de filmes com a temática de roubo a bancos. Mesmo que existam suas diferenciações, a obra não sai da linha que fez com que outras dessem certo, apostando em adversidades coletivas dentro dessa temática, tais quais a prevista traição entre os membros e seus previstos escapes das autoridades em dada circunstância. Contudo, Exército dos Ladrões é, sim, capaz de empolgar, mas não o suficiente para uma maior surpresa do espectador. No traçado da narrativa, não há a inovação requerida que, independente da maneira cool que tenha sido tratada, seja a causa do fôlego do enredo. Pelo contrário, o enredo opera por motivos alheios, como seus intérpretes.
Exército de Ladrões: Invasão da Europa é um longa-metragem independente de Army Of The Dead, mas não do resto dos filmes de história similar. Ainda assim, com todos os protocolos do estilo, a obra executa seu intuito de entreter a base de uma gangue cativante, protagonistas competentes e um divertimento fruto da despretensão e da falta de presunção do ator e diretor Matthias Schweighöfer e sua equipe. De certo, o “grosso” do que é contado pode ser observado até em produções recentes, como o argentino O Roubo do Século (2020), inclusive com resultados superiores do que foi realizado por Zack Snyder, como produtor e roteirista, aqui. Todavia, o mérito de Exército de Ladrões ter conquistado, possivelmente, a atenção do público, mesmo que no cargo de um lazer sem reflexões posteriores, é válido. Por isso, mesmo que não haja mortos-vivos nem cérebros partidos, a exemplo do primeiro, seu antecedente é um auxílio na hora de “matar” o tempo e o tédio.

Revisão Crítica

NOTA
Laisa Limahttp://estacaonerd.com
Uma mistura fictícia de Grace Kelly, Catherine Deneuve e Brigitte Bardot versão subúrbio carioca do século 21.

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