seg, 22 junho 2026

Crítica | Exit 8

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Baseado em um jogo de terror/escape japonês, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) acompanha um homem preso em um looping temporal dentro de uma estação de metrô. Para escapar, ele deve identificar anomalias no corredor e, caso veja algo estranho, voltar; caso contrário, seguir em frente até a saída 8. Porém, acontecimentos estranhos o fazem questionar sobre o que é anormal ou realidade.

É fato que nem toda boa ideia gerada para jogos eletrônicos necessariamente funcionaria para os cinemas. A regra, na verdade, se aplica a qualquer mídia, mas os games têm uma curiosa predisposição a falhar, principalmente em adaptações de títulos que caíram com mais facilidade nas graças do público alvo, enquanto filmes baseados em jogos mais antigos (como a trilogia Sonic e Super Mario Bros.) arrancam elogios, ora por terem mais história para contar, ora por realmente estarem comprometidos com a arte, sendo honestos com o material que oferecem e o público para quem ele é destinado. Alguns games criativos, que outrora esbanjaram sucesso, tendem a ser superados por outras produções que aprimoram suas ideias centrais, ou as utilizam com mais liberdade. Na sétima arte, a adaptação dessas mídias mais recentes que estão na crista da onda parecem ser realizadas com uma certa urgência, antes que a história saia de moda, e há casos que essa tal necessidade vem tardiamente, como acontece com Exit 8, versão cinematográfica do simulador viral “The Exit 8”, que parece ter chegado quando o jogo já não era mais interessante.

Imagem: Toho

Partindo de uma ideia minimamente inovadora, mas, tecnicamente falando, ainda interessante aos olhos, Exit8 acompanha um homem comum (Kazunari Ninomiya) em mais um dia de trabalho quando recebe uma ligação inesperada da sua ex-namorada (Nana Komatsu), alegando que está grávida. Começando, então, com a ideia de que o protagonista se encontra em uma situação onde não há saída, o que chega a ser inteligente por parte do roteiro de Kentaro Hirase e Genki Kawamura para se fazer alusões para o que virá a seguir, o personagem principal se vê ainda mais cercado quando se depara com uma plataforma de metrô sem saída, com elementos visuais estranhos, um homem andarilho misterioso (Yamato Kochi) e uma placa de informações que deixam claro que, para escapar daquele local, ele deve identificar 8 anomalias.

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Sejamos honestos: jogar um simulador em primeira pessoa, onde você precisa resolver desafios (detectar anomalias em um looping temporal) em um espaço minimalista bizarro, onde a imprevisibilidade é a principal força do game, pode ser prazeroso. No entanto, assistir uma adaptação de 95 minutos com personagens fazendo isso por você, em meio a uma atmosfera apática e repetitiva, é desinteressante. Sabendo desse desafio, o diretor Genki Kawamura (conhecido como produtor de Monster e Your Name) tenta fazer bom uso de técnicas simples e funcionais, como enquadramentos que colocam o personagem principal vulnerável em meio a um cenário vazio e sufocante, takes que acompanham momentos de suspense com uma tensão que é intensificada pela trilha e efeitos sonoros e uma curiosa criação de atmosfera que lembra os Backrooms, outra franquia de jogos e lenda urbana da internet que também ganhará filme em 2026. O uso do Bolero de Ravel na trilha sonora, que possui uma melodia contínua composta por Maurice Ravel em 1928, presa em um loop (o que faz a música ser considerada infinita), também está entre as escolhas inteligentes que caracterizam o longa.

Imagem: Toho

Mesmo procurando fazer bom uso dos seus minimalismos, Exit 8 não se faz ser realmente interessante. Seja por ser mais um entre tantos títulos de terror psicológicos sufocantes, ou pela ideia do game já estar obsoleta em meio a tantos outros jogos semelhantes, o filme também sofre com a falta de ousadia gráfica do cinema de terror oriental. Quando se há um investimento no bizarro e no assustador, pouco se é usufruído, a não ser pela sequência dos ratos que brinca com iluminações e imprevisibilidade. Além disso, quando a história tenta mostrar outros personagens em perigo, tudo é feito como se fosse uma grande encheção de linguiça para o filme atingir uma metragem “adequada”.

Com boas atuações e ideias visuais de quem realmente desejava fazer um terror apresentável, Exit 8, no entanto, acaba não encontrando uma saída estratégica para poder não ser mais um NPC das adaptações de games para o cinema: está lá, sempre repetindo os seus passos, mas sem qualquer utilidade.

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