A mais nova adição de “Extermínio” funciona como uma continuação mais micro em relação a sua narrativa e criação de mundo. E o mais interessante disso é a diferença de tom em relação ao filme anterior, não só pela mudança óbvia da direção, agora com Nia DaCosta conduzindo a história, mas uma pegada mais esperançosa em meio todo o horror de 28 anos depois da infecção.
Numa continuação da história, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) vê-se numa nova e chocante relação, com consequências que podem mudar o mundo tal como o conhecem, e o encontro de Spike (Alfie Williams) com Jimmy Crystal (Jack O Connell) torna-se num pesadelo do qual não consegue escapar.

É uma expansão criativa da mitologia do universo de Extermínio. O Templo dos Ossos funciona nessa micro história envolvendo os já conhecidos Dr Kelson e Spike na medida que suas histórias ganham contornos que irão mudar a percepção de mundo de cada um. Acaba que o destaque fica maior neste filme para Ralph Fiennes, toda sua gentileza e bizarrice misturada com uma relação completamente diferente, porém já apresentada no longa anterior. É muito interessante acompanhar a rotina e uma nova motivação com aquele personagem, e não isso, todo o humor e literalmente um show que o personagem dá o deixam mais inesquecível na franquia.
O roteirista, Alex Garland, continua trazendo acontecimentos interessantes com um mundo devastado por 28 anos do vírus da raiva. Ele trabalha novamente toda a questão envolvendo o surgimentos dos Alfas e uma nova abordagem quanto a evolução do vírus. Fora isso, todo a materialização da fé especificamente abordado no grupo apresentado no final do anterior. Claro que, diferente do personagem do doutor, a abordagem do grupo satânico está muito mais interessado na violência em si e todo o pensamento deturpado de uma geração manchada pelo vírus e toda uma noção de moral. Então acaba não sendo tão interessante ou aprofundado quanto o arco do Kelson.
Até mesmo a figura do Spike está diferente, mas no sentido de involução do personagem. No final do anterior, ele acaba sendo obrigado a amadurecer e abandonar seu lar, aqui, ele parece muito medroso e recuado comparado com tudo que aprendeu e evolui no filme anterior. E mesmo que seja um grupo altamente hostil, as atitudes do menino acabam destoando demais.

O vilão, Jimmy, interpretado por Jack O’Connell está ótimo. Lembra bastante seu papel recente de “Pecadores”, tanto a esquisitice quanto a violência, mas é um ator que sabe roubar a cena, criar sua personalidade e maneirismos, como o lance dos Teletubbies ou sua adoração por satã.
É um filme bastante ligado com a filosofia daqueles personagens, seu modo de pensar e agir, e no final ele busca uma mescla bastante interessante. Não chegando tanto no ponto de questionar, mas criando um caos e diversão que é visualmente atrativo, fora a música sendo muito bem encaixada. É um sadismo aqui que funciona mais no entretenimento do que o filme anterior, onde o Boyle buscava realmente encarnar aquele dia a dia do mundo infestado. Não à toa, a quantidade de zumbis aqui é bem diminuída, comparado a maioria dos longas do gênero.
Por mais que pareça um interlúdio entre essa nova trilogia. O Templo dos Ossos oferece uma história bastante redonda com a franquia, não só engrandece o personagem do Ralph Fiennes, mas adiciona novas camadas do vírus naquele universo. Acaba pecando por deixar de lado certos desenvolvimentos como o do Spike, mas a energia do filme termina lá em cima, com uma surpresa pro futuro.


