seg, 23 maio 2022

Crítica | Flee – Nenhum Lugar Para Chamar de Lar 

Publicidade

Historicamente indicado ao Oscar por documentário, animação e filme internacional, Flee – Nenhum Lugar Para Chamar de Lar é um filme que mexe com diversos sentimentos, e juntamente a animação simples e sensível, a experiência torna- se excelente.

Flee é um documentário em formato de animação, que conta a história real de Amin Nawabi, que fugiu quando criança do Afeganistão. Ele teve que confiar em seus próprios instintos para chegar à Dinamarca, ainda criança, onde vive agora. Em seus 30 anos, agora ele é um acadêmico de sucesso e vai se casar com seu namorado de longa data. Pela primeira vez, ele decide compartilhar sua história com um amigo próximo. Nawabi reconta e compartilha histórias sobre sua jornada que nunca havia revelado antes, descrevendo as condições que forçou sua família a fugir do país, como ele se separou de seus irmãos na Rússia e como ele se descobriu um homem gay na Europa.

As bases do filme funcionam de modo que a identidade de seu protagonista é totalmente preservada, ainda mais para evitar qualquer problema com as autoridades. A justificativa do documentário em forma de animação é totalmente compreensível, de forma que serviu para o homem da história se sentir mais seguro para contar sua jornada, envolvendo traumas não resolvidos e marcas fortíssimas de sua vida.

Publicidade

É um filme muito atual, todo o seu contexto é passado  através de recortes de notícias, atualizando sobre a situações políticas da época e deixando o pano de fundo da história muito claro, a semelhança com os tempos atuais é gritante. As passagens envolvendo refugiados, seu tempo na Rússia, é tudo muito pesado. Diversos momentos que causam angústia e revolta para o telespectador. Algumas memórias de seu passado são trabalhadas na animação de forma abstrata, uma espécie de bloqueio em preto e branco. A mistura de imagens reais com a animação funciona bastante, causa uma maior imersão a história contada.

Outro ponto extremamente importante no filme é o trabalho envolvendo a sua descoberta, crescimento e a dificuldade de ser um homem homossexual no Afeganistão, diversas pressões culturais e preconceitos em seu país, tudo isso piorado quando ele e sua família se tornam refugiados. Existem momentos leves no longa, pequenas brincadeiras envolvendo seus primeiros sinais de interesse em homens, desde galãs em novelas mexicanas, até atores famosos da época como Jean- Claude Van Damme, mas fora isso, a experiência é muito chocante. O ritmo do filme é muito bom, mas acaba deixando uma sensação de poderia ter contado mais, até porque o longa possui apenas 1h25 de duração, tudo passa muito rápido.

Flee- Nenhum Lugar Para Chamar de Lar é uma experiência totalmente íntima, a história de um homem refugiado, gay e afegão. É um quadro gigante de memórias e imagens chocantes de uma vida marcada pela luta e fuga. É uma jornada de auto descoberta com uma animação simples, mas que deixa tudo mais poético. Vale o interesse de todos.

Publicidade

Newsletter

Destaque

Crítica | La Casa de Papel (5ª temporada)

Chegou ao fim La Casa de Papel! Se prepare...

Fim de semana de Clássicos | Top Gun – Ases Indomáveis

Explorando novamente Top Gun: Ases Indomáveis é possível perceber...

Crítica | Stranger Things 4: Volume 1

Quando Stranger Things estreou em 2016, os fãs acompanharam...

Festival SXSW | Curtas do festival que seriam exibidos podem ser vistos gratuitamente; Assista!

O Festival South by Southwest foi cancelado, em virtude da pandemia do...

Crítica | Love, Death + Robots (2ª Temporada)

Love, Death & Robots ganhou sua 2ª temporada na Netflix. Ao compararmos...

Deixe um comentário