qui, 5 novembro 2026

Crítica | Godzilla Minus Zero

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Após ter sido supostamente destruído no primeiro filme, o kaiju mais famoso da cultura pop retorna para aterrorizar novamente a vida dos cidadãos japoneses. Como já conhecemos o casal de protagonistas e alguns outros personagens de apoio, o diretor e roteirista, Takashi Yamazaki, aproveita para introduzir personagens, expandir o núcleo dramático e, assim, desenvolver novas subtramas. Com isso, o longa ganha maior robustez sentimental, sendo ainda mais fácil se envolver emocionalmente com ele, em comparação com o anterior – já bastante engajante.

A consequência da decisão de focar mais nos conflitos interpessoais é diminuir a frequência das cenas de ação/terror. Algo não necessariamente ruim graças a dois fatores principais: os personagens recém-chegados são interessantes de acompanhar e os momentos de batalha, apesar de ocorrem menos, continuam mantendo o padrão de excelência – com especial destaque para qualidade irretocável dos efeitos visuais. Há uma certa forçada de barra para reinserir a dupla do filme anterior, dando a eles demasiada importância, ao ponto de assumirem o papel de quase-heróis, sem os quais seria impossível derrotar o monstro.

Porém diante de todo espetáculo audiovisual pintado em tela, essas pequenas questões, típicas de grandes sequências, tornam-se praticamente imperceptíveis. Escalonar as tensões do núcleo humano, dando a eles personalidade e profundidade, torna todas as consequências mais impactantes, ao nos importamos com as pessoas, sentimos com maior intensidade o peso daquilo que lhes acontece. Aumentar o risco ajuda na construção da tensão e, ao mesmo tempo, também fortalece as emoções. No final, há uma diminuição da ação, contudo há mais em jogo.

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O grande diferencial entre Godzilla Minus Zero e outras continuações mais tradicionais é justamente saber aproveitar o apego já existente entre o público e alguns personagens, criar empatia pelos novos, sem nunca apostar só nisso. Quando as batalhas acontecem – e são mais de uma – o impacto causado por elas não é só por termos nos afeiçoado ao núcleo humano, mas principalmente pela construção visual das cenas, além da trilha sonora – uma das mais belas composições do ano, usada pontualmente em momentos chaves de tensão, se intensificando na medida da dramaticidade do momento.

O Godzilla mesmo só aparece pela primeira vez lá pela metade do longa, depois fica mais um bom tempo desaparecido e, só nos minutos finais ele domina a tela. Sua presença, no entanto, é sentida logo de início e perdura por toda narrativa, como uma ferida ainda não cicatrizada. Seu retorno é triunfal, com a câmera capturando toda sua opulência, acentuada pela música tema. Nos planos mais afastados tomamos dimensão do seu tamanho e monstruosidade, nos closes é impossível não se impressionar com a perfeição dos efeitos digitais tão bem feitos que causam uma sensação háptica, como se ao levar a mão até a tela fosse ser possível tatear a aspereza de sua pele.

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Raíssa Sanches
Raíssa Sancheshttp://estacaonerd.com
Formada em direito e apaixonada por cinema
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