Crítica | Greyhound: Na Mira do Inimigo (2020)

Tom Hanks (O Resgate do Soldado Ryan) é quase um patrimônio cultural da humanidade. O premiado ator também, para quem não sabe, é um produtor, dublador, diretor e roteirista de certo renome. O seu terceiro roteiro, por exemplo, foi adquirido pela Apple TV+ e acaba de ser lançado no serviço de streaming. Greyhound: Na Mira do Inimigo, é uma obra intimista sobre um homem que se vê em uma das maiores guerras que a humanidade já enfrentou.

Greyhound é baseado no romance The Good Shepherd escrito por CS Forester. A trama segue um comandante da Marinha dos EUA em sua primeira missão no comando de um grupo de escolta multinacional que defende um comboio de navios mercantes sob ataque de submarinos nazistas no início de 1942 durante a Batalha do Atlântico, apenas alguns meses após a entrada oficial dos EUA na Segunda Guerra Mundial. O diretor Aaron Schneider (Segredos de um Funeral) possui uma direção com altos e baixos. Os pontos positivos são a sua câmera que “passeia” junto ao seu protagonista em um espaço confinado, inserindo o espectador como alguém que está lá ao lado do capitão em suas tomadas de decisão, sejam elas boas ou não. Essa escolha faz com que nos importemos com aquele personagem. Além das cenas de ação que são tecnicamente bem realizadas e o CGI que convence. A fotografia azulada de Shelly Johnson (O Lobisomem) transmite bem a tristeza da situação. O diretor ainda faz um bom uso de filmagens panorâmicas que beneficiam o espectador, ajudando a entender a escala da batalha e a gravidade da situação.

Os erros deste longa não são culpa, necessariamente, de Schneider mas ocorrem com sua permissão. As sequências de ação são boas, mas muito curtas e não dão aquela aflição típica de filmes de guerra. A ambientação certinha do local onde ocorre a trama, contrasta com a situação caótica que o protagonista vive e nunca passa a impressão de que a situação vivida por eles na trama é grave. Outra falha do filme fica a cargo do roteiro, escrito por Hanks, que tenta sem sucesso colocar a guerra como protagonista da situação. Mas foca tanto no protagonista que o longa acaba se tornando outro tipo de obra, algo como a guerra pelos os olhos de quem não queria estar nela.


Não que essa proposta seja ruim, mas fica perceptível ao espectador a falta de tato do escritor em definir qual foco ele deseja dar a obra. Dos personagens só o de Hanks é desenvolvido, ele possui personalidade e motivações críveis. A atuação de Hanks é segura e mostra um homem simples que é constantemente julgado por seus subordinados e que precisa se manter firme para conseguir a vida deles e a sua própria. Todos os demais atores estão lá apenas para receber ordens e usar jargões militares.

Greyhound: Na Mira do Inimigo é mais uma obra patriota americana, que usa a visão de um homem comum para mostrar uma das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial. Confira mais uma obra protagonizada e, também, escrita por Tom Hanks, ela vale a pena.

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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