ter, 23 junho 2026

Crítica | Heartbreak High (3ª temporada)

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Se a ideia é refazer uma série adolescente querida, o mínimo que se espera é uma decisão: reverenciar o original ou jogar tudo no liquidificador estético e torcer para que ninguém note o que ficou pelo caminho. Heartbreak High, em sua terceira e última temporada, escolhe claramente a segunda opção, acrescentando ainda um parque de diversões, um coma e algumas lições de vida sublinhadas em neon.

Segue com energia vibrante e um senso de estilo bastante definido, apostando em cores intensas, figurinos marcantes e uma atmosfera levemente exagerada em sintonia com o turbilhão emocional dos personagens. Esse exagero também é parte do charme: há a intenção clara de transformar o cotidiano adolescente em algo mais expressivo, quase performático.

A trama central gira em torno de um trote que dá errado e deixa um funcionário em coma, funcionando como fio condutor ao longo dos episódios. Embora o mistério nem sempre sustente o peso dramático que a temporada tenta atribuir a ele, ainda assim cumpre seu papel, mantendo a história em movimento e conectando os conflitos do grupo.

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Há relações mal resolvidas, segredos à espera de exposição e o inevitável “último ano” pairando como ameaça existencial. Amerie (Ayesha Madon) continua sendo o centro emocional, quando o roteiro permite, sustentando o caos com uma vulnerabilidade que nem sempre merece. Harper (Asher Yasbincek) aparece quando lembram que ela existe e, quando aparece, eleva o nível. Já Malakai (Thomas Weatherall) oscila entre importância e esquecimento, como quem perdeu o próprio arco no meio do caminho.

A dinâmica entre os personagens segue sendo um dos pontos fortes, especialmente quando desacelera e permite interações mais simples, sem a necessidade de amplificar cada emoção. São nesses momentos que Heartbreak High mais se aproxima do que já fez de melhor: observar seus personagens em vez de explicá-los.

Por outro lado, a introdução de novos personagens nesta última temporada nem sempre se justifica plenamente. Embora acrescentem conflito, acabam dividindo espaço com figuras já estabelecidas que mereciam um encerramento mais desenvolvido, o que contribui para uma sensação de narrativa dispersa.

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Há também uma mudança perceptível na forma como constrói seus momentos emocionais. Se antes havia mais espontaneidade, aqui muitas cenas parecem estruturadas para atingir determinados efeitos, com diálogos mais explícitos e uma condução que, ocasionalmente, sublinha demais o que já estava claro. Isso não compromete totalmente o envolvimento, sobretudo porque o elenco consegue sustentar a credibilidade mesmo nos trechos mais artificiais.

Como temporada final, cumpre sua função. Resolve conflitos, oferece algum senso de fechamento e acompanha seus personagens nesse momento de transição para a vida adulta, equilibrando nostalgia e evolução. Pode não atingir o mesmo frescor inicial, mas demonstra entendimento sobre quem são esses personagens e por que o público se importa com eles.

No fim, Heartbreak High é aquela festa que já passou do ponto, com a música alta demais, as conversas repetidas e a vaga impressão de que você devia ter ido embora meia hora antes. Ainda assim, há o suficiente ali para ficar até o fim.

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