Crítica | Homem Aranha: No Aranhaverso

Dirigido por Peter Ramsey (A Origem dos Guardiões) e Bob Persichetti (Gato de Botas), “Homem-Aranha no Aranhaverso” mostra a origem de Miles Morales (Shameik Moore) como o novo Homem-Aranha, enquanto conhece outras pessoas com os mesmos poderes que vieram de outras dimensões, abertas por conta de um plano sinistro do Rei do Crime (Liev Schreiber). Agora, Miles precisa aprender a controlar seus poderes rápido e se juntar aos demais Aranhas para evitar uma catástrofe que ameaça todas as diferentes realidades.

Sem precisar tentar ter a textura e traços mais realistas, que estamos acostumados a ver em animações da Disney e Pixar, por exemplo. Ele aproveita, com um sorrisinho sacana no rosto, as várias dimensões dos Aranhas colidindo pra renderizar personagens de formas diferentes, e focar num visual menos realista.
O filme traz uma série de personagens interessantes já conhecidos dos fãs, mas que funcionam igualmente para os desfamiliarizados com os quadrinhos, e ainda passa o manto para um novo Homem-Aranha em uma bela história de origem, focada em explorar os elementos humanos que tornam o cabeça de teia um dos heróis mais relacionáveis da Marvel.


O filme é uma bagunça visual que te deixa um pouco tonto com a mistura de cores e o estilo de pop art, onde tentaram aproveitar essa forma de linguagem dos quadrinhos, para incorporar esses elementos no filme, especialmente nos momentos em que os Aranhas estão usando seus poderes, e nas lutas, o que foi um ponto falho.
Todo destaque vai para Miles despertando seus poderes de Aranha, que é com certeza um dos melhores e mais divertidos momentos do filme. Outra vantagem que o filme aproveita dessa linguagem visual é que fica bem mais rápido e fácil introduzir os outros Aranhas de forma eficaz, mas ainda temos outro problema que são as piadas que voltam várias vezes desde o início do filme.

É interessante porque, a gente não vê outros super heróis tendo que lidar com as frustrações da adolescência enquanto também têm que salvar o mundo e aprender a controlar seus poderes. O filme aqui consegue fazer isso bem demais, entregando momentos da vida real especialmente através do Miles, tanto nas questões adolescentes, como “qual é meu lugar no mundo”, quanto através dos laços familiares dele com o pai (Brian Tyree Henry) e o tio (30), e a relação de aprendiz com o Peter (Jake Johnson). As relações do Miles com esses homens que fazem parte da sua vida vão moldando o tipo de pessoa que ele quer ser, e o tipo de herói que ele vai ser.

Acho interessante que o Miles tem mais dificuldades de lidar com as suas responsabilidades e motivações para ser o Homem-Aranha de uma forma que sempre me pareceu meio rasa ou vaga nos Peters do Andrew Garfield e do Tom Holland, mas que eram tema principal na trilogia do Raimi e que são pilares importantíssimos na construção do Aranha. Os motivos pelos quais o Peter do Tobey Maguire e esse Miles Morales do Aranhaverso resolvem ser o Homem-Aranha batem bem mais com o senso de responsabilidade que quem veste o manto do herói tem que ter.

Chega ser chato como eles usam e abusam do humor auto-depreciativo, tanto no Peter quanto no Miles. A ideia de colocar esse Peter mais velho, cansado e fracassado pra guiar o Miles funciona como uma conexão de figura paterna pro Miles e podendo desenvolver esse Peter também, de um jeito que os dois crescem juntos, e com isso o filme cresce dramaticamente.

O roteiro é ok. Num filme cheio de personagens diferentes e ainda sendo a história de origem de um novo Homem-Aranha, tinha tudo pra ser show de bola, mas acaba se embolando um pouco, embora ele saiba valorizar cada personagem na hora certa, conseguindo mesclar drama, aventura e comédia. Ele mistura com uma história de origem com seu próprio esquadrão no estilo Vingadores mesmo sem ter os direitos de personagens suficientes da Marvel pra fazer isso, é cheio de referências pros fãs do cabeça de teia, e inclusive traz o Stan Lee.

A luta final é bem corajosa e gratificante. Sei que a essa altura todo mundo sabe cono funcionam os filmes da Marvel, mas acho legal ressaltar pra ficarem até o final dos créditos, porque a cena pós é hilária.

Dito isso, acho que “Homem-Aranha no Aranhaverso” vai agradar os fãs, apresentar o Aranha pra nova geração, e de quebra trazer finalmente o Miles Morales pros cinemas com toda a carga e representatividade que ele carrega. Achei incrível também que praticamente todos os dubladores originais inclusive são das mesmas etnias dos seus personagens.

Com o “Aranhaverso”, a Sony finalmente descobriu um potinho de ouro pra resolver seus problemas de falta de direitos de mais personagens da Marvel pra expandir a sua parte desse universo nos cinemas.

Espero que esse filme mostre que eles podem largar essa ideia péssima de fazer spin offs de vilões do Homem-Aranha e investir nos aranhas do multi-verso nos filmes live action também, com certeza tem mais histórias interessantes pra contar e mais chances de dar certo.

Homem-Aranha No Aranhaverso estreia dia 10 de janeiro nos cinemas brasileiros.

Nota:

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