dom, 23 junho 2024

Crítica | Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania

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Hoje mais do que nunca se pode dizer que o MCU está operando numa chave de seriado. A cada ano que passa, mais e mais produções são anunciadas pelo Marvel Studios, sejam elas filmes, séries e agora especiais com cerca de uma hora cada, sendo cada um mais ou menos conectado com uma narrativa global que precisa continuar correndo. Não é novidade para ninguém que o processo criativo e de realização dos filmes dentro dessa lógica de produção acaba se tornando refém de uma série de aparelhos necessários para que o público continue se abastecendo num curto período de tempo com a marca do MCU. O grande problema é que a unidade gerada por essa aparelhagem do processo vem gerando produções que cada vez menos se destacam e infelizmente o mesmo pode ser dito sobre Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania.

No que toca a história e a temática, o filme pode ser considerado um risco interessante para a franquia protagonizada por Paul Rudd. As duas produções anteriores operaram mais numa chave de comédia de ação urbana com toques de ficção científica, mas nessa aqui o diretor Payton Reed vai embarcar numa aventura Sci-fi em moldes mais clássicos. Quantumania tenta, acima de tudo, usar de seu cenário de perigos desconhecidos e a iminente ameaça cósmica que surge em Kang (Jonathan Majors) como artifício para explorar as dinâmicas já apresentadas entre os personagens da família de Scott Lang de uma forma diferente, tudo aqui sendo canalizado nas figuras de Cassie e Janet que encabeçam os 2 principais núcleos do longa.

Aqui é reapresentada uma Cassie Lang, que agora, após os eventos de Ultimato e tudo que ela passou na infância, é uma adolescente que possui uma série de preocupações com o mundo e sobre como “ajudar” as pessoas. O filme se apoia justamente nesse tema do Altruísmo e a contraposição entre Scott, que agora apenas colhe frutos de seus atos no passado, e Cassie, que possui uma pulsão de socorrer e abraçar todos os problemas que encontra no caminho. Essa dinâmica funciona, em partes. É divertido assistir os erros e acertos de Cassie e as reações de Scott que agora se encontra na posição de mentor, mas por vezes o discurso da jovem parece um tanto vazio, apesar de bem intencionado, e o filme não sabe o que fazer com a conclusão desse arco para além de um drama familiar tradicional.

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Já falando sobre o núcleo que acompanha os Pym (Janet, Hank e Hope), a questão do trauma resultante da separação forçada no passado e os feitos de Janet nesse vácuo de tempo vão resultar em alguns dos momentos mais importantes do longa. Michelle Pfeiffer tem liberdade para atuar e ela consegue carregar o momentos mais intensos sem deixar o filme se desequilibrar por completo em suas oscilações de tom.

É chover no molhado dizer que o Marvel Studios tem uma questão com o polimento de cenas carregadas de computação gráfica, mas aqui chega a ser desanimador presenciar momentos que poderiam ter uma força muito maior se não fossem pela direção da ação, que devido ao processo Marvel muitas vezes não passa pelas mãos do diretor do filme, e a falta de contraste e clareza em cenas mais grandiosas. Os momentos de clímax se perdem por vezes em uma bagunça visual e plastificada que apenas tira dos bons designs criados para o reino quântico e seus moradores.

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania diverte mas ainda assim não retoma, de maneira geral, o nível que se esperava para as próximas fases da narrativa contínua que é o MCU. Se esse filme (como tantos outros) for considerado relevante pelos veículos de comunicação, e depois pelo público, apenas por suas cenas pós-créditos talvez esteja na hora de reavaliar o ponto de continuar com essa narrativa da forma que está.

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Fabrizio Ferrohttps://estacaonerd.com/
Artista Visual de São Paulo-SP
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