Depois de mais de uma década afastado da direção de longas-metragens, Gregg Araki retorna ao cinema com ‘I Want Your Sex’ (2026), uma comédia erótica estrelada por Olivia Wilde e Cooper Hoffman. Conhecido por obras como ‘Mysterious Skin’ (2004) e ‘The Doom Generation’ (1995), o diretor aposta novamente em uma narrativa provocativa, utilizando sexo, humor e exagero para discutir comportamentos e relações contemporâneas.
Elliot (Cooper Hoffman) é um jovem que começa a trabalhar para Erika Tracy (Olivia Wilde), uma artista famosa por suas obras provocativas. Entretanto, a relação profissional rapidamente se transforma em um envolvimento sexual marcado por jogos de poder, manipulação e situações cada vez mais absurdas.
Desconfortável é a melhor definição sobre como ‘I Want Your Sex’ desenvolve praticamente todas as suas ideias. E não necessariamente pelo conteúdo sexual ou pelas provocações que Gregg Araki tenta construir, mas pela própria linguagem utilizada na obra. Os efeitos visuais, as intervenções cômicas e as situações exageradas parecem constantemente disputar a atenção do espectador, sem que exista uma conexão realmente interessante entre elas. É um filme que procura ser absurdo o tempo inteiro, mas que acaba transformando esse absurdo em algo repetitivo e, principalmente, constrangedor.

Acredito que exista uma tentativa de discutir questões relacionadas à sexualidade, à comunidade queer e até à maneira como a pornografia influencia o comportamento masculino. Entretanto, essas ideias aparecem de maneira tão superficial que dificilmente conseguem ultrapassar a provocação inicial. O filme parece mais preocupado em causar alguma reação do que em desenvolver aquilo que está colocando em cena. E talvez seja justamente esse o maior problema: mesmo com tantos excessos, quase nada possui impacto.
A experiência acaba sendo bastante frustrante. ‘I Want Your Sex’ possui uma proposta que poderia render discussões interessantes sobre desejo, poder e liberdade sexual, mas sua construção narrativa parece tão desconexa que as provocações perdem qualquer força. Gregg Araki aposta no exagero como linguagem, mas, pelo menos durante a maior parte do filme, o resultado está muito mais próximo de um conjunto de situações aleatórias do que de uma sátira realmente envolvente.


