ter, 7 julho 2026

Crítica | Invasão Secreta

Publicidade

      Skrulls, na Marvel, historicamente foram retratados como uma raça inimiga da humana até que tudo mudou. Em 2019, com o lançamento de Capitã Marvel e a apresentação oficial da raça skrull no MCU, houve uma tentativa de desconstruir a ideia de natureza hostil dos skrulls, o que é bem vindo apesar da qualidade da história em que o assunto foi posto. Partindo desse ponto muitos se questionaram se um dos arcos mais importantes que envolvem os skrulls seria um dia levado às telas e, obviamente, o assunto aqui é Invasão Secreta. Pois o momento chegou e dadas as atuais circunstâncias do MCU, Nick Fury, um protagonista não convencional foi escolhido para levar a trama da conspiração alienígena adiante.

      A série entra com um primeiro episódio muito sólido ao apresentar os perigos que uma revolta de aliens metamorfos poderia causar no planeta além de dosar bem os efeitos que o fracasso pessoal de Fury com a segurança mundial tiveram no personagem ao longo dos últimos anos. É um ponto de partida intenso e convincente que encontra o equilíbrio entre o que parece natural para a grande narrativa contínua do MCU e o que funciona enquanto projeto isolado, fazendo juz à lógica de thriller de espionagem que foi vendida em relação ao projeto.

      Mas qual a intenção de um thriller? A palavra Thriller é usada para enquadrar todo um gênero de histórias que pregam pelo suspense, tensão e muitas vezes desconfiança, alcançando um apelo que vem pela incerteza do que vai acontecer. Para que se possa ter algum temor em uma história é importante que a sensação de perigo seja real, ou seja, que o público sinta que consequências definitivas são possíveis. Isso até parece o caso no começo de Invasão Secreta mas é um sentimento que infelizmente vai se esvaindo ao longo dos episódios. A imprevisibilidade vai dando lugar a um conforto e uma falta de intensidade que já se tornou um padrão para as séries do Marvel Studios.

Publicidade

      O elenco desse projeto é excelente, seja Olivia Colman fazendo o papel de Sonya Falsworth, uma rival de Fury no jogo de espionagem envolvendo os skrulls, seja Ben Mendelssohn retornando como o líder alienígena Talos ou Kingsley Ben-Adir como Gravik, principal antagonista do programa, a série está bem servida de talentos nesse sentido mas nem eles puderam impedir mais um roteiro que se contenta com o mínimo para chegar à sua conclusão.

      Nick Fury começa a série de uma forma e praticamente não tem alteração em seu personagem ao final, talvez a personagem de Emilia Clarke seja a que mais passa por alguma transformação ao longo da história e ainda assim não chega a ser em um sentido que realmente traga algum sentido de compreensão do que foi posto em jogo nos seus primeiros episódios. Inclusive o episódio final dá a entender que a conclusão de uma questão que surge de maneira secundária na trama merece um fechamento mais digno que o seu dilema principal.

      Invasão Secreta chegou com o potencial de se tornar um destaque para o catálogo do MCU, mas infelizmente acaba se deixando ser mais um projeto que se perde em seus próprios esquemas e limitações. Foi bom finalmente dar mais tempo e protagonismo a Nick Fury, especialmente em um cenário tão rico de discussão mas a sensação que permanece é de mais um momento que teria tudo para ser um marco nesse nicho porém que acaba entregando algo pela metade.

Publicidade

Publicidade

Destaque

As 10 Melhores Séries do Primeiro Semestre de 2026

O Estação Nerd separou uma lista com as melhores...

Crítica | Quinze Dias

Felipe, um adolescente gay e gordo, vítima constante de...
Fabrizio Ferro
Fabrizio Ferrohttps://estacaonerd.com/
Artista Visual de São Paulo-SP
      Skrulls, na Marvel, historicamente foram retratados como uma raça inimiga da humana até que tudo mudou. Em 2019, com o lançamento de Capitã Marvel e a apresentação oficial da raça skrull no MCU, houve uma tentativa de desconstruir a ideia de natureza hostil dos...Crítica | Invasão Secreta