seg, 15 junho 2026

Crítica | IT: Bem-Vindos a Derry

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IT: Bem-vindos a Derry é o prelúdio dos filmes de IT: A Coisa, e em seus episódios mergulha nos eventos que antecedem a história da famosa obra de Stephen King. A produção é ambientada na década de 1960 e mostra como o temido palhaço Pennywise aterrorizou os habitantes da pacata cidadezinha americana.

Ao longo de oito episódios, somos apresentados à origem da criatura maligna e a jornada de terror que aconteceu em 1958. O diretor Andy Muschietti (criador da série e responsável por IT: A Coisa e IT: Capítulo 2) usa uma narrativa simples, que já no primeiro episódio mostra que não veio para brincar e sim para chocar. Esse episódio subverte qualquer expectativa que o espectador tenha e começa a inserir diversos traumas que afetam a sociedade, entre eles o que ganha maior destaque é: o racismo, que de início surge sutilmente e com o tempo vai tomando proporções surreais. Ao inserir essa temática, a produção cria dois núcleos distintos: o adulto e o das crianças. O primeiro está focado nos militares, que querem usar a criatura como arma e os indígenas que protegem o segredo relacionado a Pennywise. A criançada, que é o alvo principal do vilão apenas luta para sobreviver e escapar dos ataques cruéis feitos a todo momento.

O roteiro da série além de revisitar as origens de Pennywise ainda consegue mostrar como a vida numa cidade americana está envolta de maldades e usa do horror sobrenatural para criar uma metáfora sobre como o medo pode moldar a vida de uma comunidade. Elementos sobre a guerra fria são inseridos aqui e ali, mas a produção usa esse tema apenas como pano de fundo, e no fim acaba abandonando a ideia, algo que não atrapalha, mas gera uma expectativa desnecessária sobre o assunto.

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As cenas de terror são bem elaboradas, tensas, repulsivas, brutais e sempre são focadas nos traumas da garotada, que em Derry carregam muita dores. Os trechos assustam e chocam pela intensidade, sendo muito bem distribuídas na série. Os temas relacionados aos traumas infantis são macabros e aliados ao CGI muito bem feito, na maioria das vezes, conseguem transmitir o que os jovens estão enfrentando. A direção e roteiro não tem medo de eliminar nenhum personagem, por mais carismático que ele seja e isso cria um pânico em quem assista, pois ninguém está a salvo.

Diversos quesitos técnicos merecem destaque. Os locais da época, cenários e figurinos vistos são perfeitos e o design de produção é deslumbrante! Tudo relacionado a década de 60 é reproduzido com perfeição. A fotografia é outro ponto positivo, pois a direção sabe usar diferentes tons para representar o perigo e transforma a atmosfera do local. O elenco é incrível! Destaque para o grupo de crianças que carregam os primeiros cinco episódios nas costas, dando um show de atuação. A partir do sexto episódio eles dividem o destaque com Bill Skarsgård (O Corvo) que é o mal encarnado na forma de palhaço. O ator merece um reconhecimento por sua atuação nesta série pois ele está absolutamente diabólico no seu papel.

IT: Bem-vindo a Derry mergulha no universo criado por Stephen King expandindo a mitologia como nenhuma outra produção já fez. A série é uma das melhores do ano e que a segunda temporada nos leve a descobrir mais sobre as origens da criatura e da maldade humana.

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]
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