ter, 18 junho 2024

Crítica | Jardim dos Desejos

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É interessante que Jardim dos Desejos se assemelha muito com os dois filmes anteriores do Paul Schrader. Ele mescla os questionamentos do mundo tal qual Fé Corrompida(2017) e traz uma clareza dos pensamentos do protagonista por meio de seu diário/narração assim como O Contador de Cartas (2021). Em seu novo filme, o diretor busca novamente essa relação mundo/pessoa ou vice versa.


Narvel Roth (Joel Edgerton) é um excelente jardineiro. Além de entender muito de plantas, ele é cuidadoso em tudo que faz. Isso agrada muito a viúva e rica senhora Haverhill (Sigourney Weaver), dona da propriedade histórica onde Narvel trabalha. Contudo, essa boa relação começa a ficar abalada quando ela pede para ele aceitar uma jovem sobrinha como aprendiz. O problema é que Maya (Quintessa Swindell) tem um lado de rebeldia e um passado enterrado de Narvel acaba sendo descoberto.


O longa estabelece esse cenário dos jardins para construir uma espécie de “paraíso” por qual nosso protagonista trabalha e mora. Tudo, principalmente a direção, faz passar uma sensação de ordem por aquele local, as flores bem cuidadas, a educação, respeito e formalidade das pessoas que trabalham ali.
Nessa parte do filme, a única coisa que quebra essa formalidade é a dona do jardim, que por meio seus questionamentos ou embate com sua bisneta acabam revelando um lado mais agressivo que não tínhamos visto em nenhuma dessas pessoas que convivem ali. E acaba funcionando justamente com esse fato dela ser a força maior, tudo passa aos olhos dela.

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O filme apresenta essa representação religiosa, não só quanto ao local e sua relação etérea, mas também nessa jornada do protagonista de culpa e busca pela redenção. Com o segredo do protagonista revelado logo em seu começo, Paul Schrader nos convida a questionar se certas atitudes e ações do passado merecem, ou melhor, podem ser perdoadas.
E isso é demonstrado por meio da personagem Maya e sua relação amorosa com o protagonista. Desde o cenário do Jardim cresce um afeto e amor entre os dois e conforme eles são expulsos desse paraíso e jogados para o “mundo real”, é onde eles realmente precisam provar sua relação amorosa, tanto carnal quanto sentimental. Eles vão passar por provas, tanto Maya quanto ao seu vício de drogas quanto Narvel com seu passado problemático. E assim, por meio da relação de aceitação e perdão.


A cena dos dois pelados no quarto de hotel evidencia brilhantemente essa entrega, de maneira não só alegórica ao religioso, mas também deslocada, uma vez que eles estão em um lugar totalmente avulso, fora daquele paraíso, e é onde acontece o ato puro do amor.
O personagem do Joel Edgerton funciona nesse arquétipo masculino dos dois filmes anteriores do diretor. Essa pegada mais fria e suave, porém sem cair para qualquer idiotice masculina que Hollywood vem moldando diversos personagens nos últimos anos. Ele apresenta uma educação e confiança que reflete essa ideia de mentor. Mas também uma ameaça nas horas pontuais do filme, muito por conta do olhar.

Jardim dos Desejos funciona como esse fechamento da “trilogia” de Paul Schrader sobre esse cenário norte americano. Ele trabalha ideias já apresentadas nos seus longos anteriores, tal como o diário do protagonista e sua narração. E mesmo sem o impacto de um Fé Corrompida, ele consegue brilhar dado suas alegorias e interpretações. Ele pega essa figura controversa do protagonista e trabalha de forma muito bonita sua jornada de redenção. Poucos diretores/roteiristas conseguiriam fazer isso sem cair de uma forma maldosa ou desrespeitosa dado a gravidade do assunto abordado. Essa ideia é pegar a jardinagem como salvação de um homem é linda!

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