qua, 29 maio 2024

Crítica | Jorge da Capadócia

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No próximo dia 23 de abril, comemora-se o dia de São Jorge, um enorme símbolo religioso tanto no catolicismo quanto em religiões de matriz africana. Na quinta-feira anterior (18), chegará aos cinemas um importante longa para o cinema brasileiro, especialmente para os amantes de filmes históricos: Jorge da Capadócia. O filme segue a trajetória de Jorge, especialmente sua trajetória do santo contra o imperador Diocleciano, famoso por orquestrar a mais sangrenta perseguição aos cristãos no Império Romano.

A partir da promoção de Jorge para ser capitão no Exército Romano, o longa começa com um erro bem comum: a pressa. É como se fôssemos jogados no meio do Século III com um jovem soldado ascendendo à capitão e um imperador perseguindo os cristãos. Aspirações? Contexto? O filme prefere mostrar o passado de outra forma, focando apenas na vida de Jorge, mas essas questões maiores ficam debaixo do tapete.

Créditos: Paris Filme/Downtown

E não estou falando de agilidade, digo, uma montagem necessariamente apressada, mas sim desde o roteiro. Apesar da fotografia surpreender desde a cena inicial, em que Jorge está treinando e há câmera lenta, sempre em planos médio ou em close-up médio, isto é, enquadrando o protagonista do peito para cima. Essa intimidade até atrai nesses momentos iniciais, alinhada com a relação de Jorge com sua mãe, que já está fragilizada pela idade.

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Apesar da fotografia permanecer nesse tom intimista e as atuações de Alexandre Machafer como Jorge, Roberto Bomtempo como Imperador Diocleciano e Ricardo Soares como Octávio também seguirem esse caminho, o resto da linguagem não acompanha a mesma ideia. Alguns caminhos da produção acabam decepcionando bastante. Cito a trilha sonora, vital especialmente em filmes históricos, que acaba seguindo uma cartilha e passa bem despercebida na experiência.

E claro, há o dragão que foi derrotado por São Jorge… mas não do jeito que a maioria das pessoas conhecem. A decisão do diretor e estrela de transformar a mais famosa história de São Jorge como apenas uma metáfora para a luta que Jorge travava contra Diocleciano para defender sua fé seria bastante eficiente dentro da intimidada proposta, mas as cenas entre os dois só serão usadas no último ato do longa, bem no final. O momento delas não é um problema, mas a ausência de uma construção mais eficiente para tal momento. É difícil para um filme histórico de uma figura tão famosa não ter uma trilha sonora minimamente impactante, mesmo que o protagonista esteja lutando com um dragão. Mesmo que a intenção do autor seja ter uma trilha mais calma para buscar esse intimismo já citado, as cenas são o ápice do protagonista, literalmente uma batalha contra um monstro. 

Aquele tom íntimo do início vai se desmantelando aos poucos, com uma sucessão de eventos que deveriam soar épicos. As torturas contra Jorge, como ser enterrado vivo, acabam sendo apenas uma sequência de imagens que no máximo vão impactar  quem conhece a história de São Jorge e é bastante religioso.

Tentando ser íntimo e buscando um impacto imediato com o espectador, Jorge da Capadócia acaba sendo um projeto que sofreu com a execução tanto pelo orçamento como por escolhas narrativas que não amadureceram seu estilo, deixando o potencial máximo da obra apenas na imaginação.

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