seg, 22 junho 2026

Crítica | Justiça Artificial

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Em um futuro próximo, um detetive está sendo julgado, acusado de assassinar sua esposa. Ele tem 90 minutos para provar sua inocência à avançada justiça de Inteligência Artificial que ele mesmo ajudou a implementar, antes que ela determine seu destino. Essa é a interessante premissa de Justiça Artificial, novo filme de ficção científica do diretor Timur Bekmambetov (O Procurado).

Misturando conceitos vistos em Minority Report (2002) e de produções que usam a técnica screenlife (uma narrativa que ocorre através de telas de computador e celular), a direção de Bekmambetov constrói uma trama que deixa o espectador a todo momento curioso com o seu desenrolar, porém as ideias apresentadas são as mais convenientes, preguiçosas e deixam muitas lacunas que não agregam ao desenrolar do filme, tornando o roteiro de Marco Van Belle (Feed) o ponto mais fraco de toda essa equação.

Questões alarmantes sobre a completa falta de privacidade e perpetuação de vieses discriminatórios são vistas no filme, mas deixadas de lado (leia completamente ignoradas) em prol de cenas de perseguição em primeira pessoa e de reviravoltas inverossímeis ou que podem ser previstas com três cenas de antecedência. O desenrolar da história em tempo real, ajuda a criar uma tensão palpável e a apresentação de provas leva realmente o espectador a questionar a as intenções do protagonista, mas com o tempo a trama abandona esses elementos investigativos e embarca nos trilhos dos clichês comerciais que vemos em diversas produções do gênero.

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As atuações tem altos e baixos. Chris Pratt (Guardiões da Galáxia) é um ator carismático e em diferentes projetos ele vem usando seu físico para construir diferentes versões do personagem Peter Quill de Guardiões da Galáxia, mas neste filme esse diferencial fica de fora, já que o ator passa 90% das suas cenas preso em uma cadeira, restando a ele apenas reagir com caras e bocas para as mais diferentes situações que surgem em CGI, o que convenhamos não é muito o seu forte. Já Rebecca Ferguson (Silo) se saí melhor, mas a química entre eles é nula. Os demais atores cumprem suas funções de modo protocolar, pois a trama não dá muito espaço para construções elaboradas.

O CGI é correto, mas em algumas cenas soa muito artificial e tira o espectador da trama. O bombardeio de telas também atrapalha o entendimento de algumas pistas, são muitas informações jogadas ao mesmo tempo o que pode tornar o filme, em alguns momentos, cansativo. O final acaba sendo um tiro no pé da produção, só vendo para entender.

Justiça Artificial é uma boa ideia, que não é bem executada. O filme não é ofensivo e nem a pior coisa já vista no gênero, mas é bem ARTIFICIAL. Pelo menos o título nacional da produção é honesto.

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Hiccaro Rodrigues
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]
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