Crítica | Kadaver

Terror é um gênero cinematográfico que procura uma reação emocional negativa dos espectadores, ao jogar com os medos primários da audiência. O novo, e pra lá de inventivo, filme da Netflix brinca com essa definição como nenhum outro filme já fez. Kadaver, terror norueguês, conta a história de uma família faminta, que sobreviveu a um desastre nuclear, e encontra esperança em um dono de hotel carismático. Atraídos pela perspectiva de um jantar grátis, aos poucos eles passam a desconfiar de sua sorte.

Foto: Netflix/Divulgação

A premissa pra lá de intrigante, se mostra curiosa quando somos colocados na mesma perspectiva dos atores da trama que fazem o público da peça, que é apresentada após o jantar. Eles não sabem o que está acontecendo, muito menos nós. O diretor e roteirista Jarand Herdal (Everywhen) assim cria uma trama tensa, que assusta mais pelo medo que o desconhecido gera, do que por jump scares jogados no filme. Esse artificio existe, mas ele é usado pontualmente aqui e ali e nenhum deles se apresenta de modo gratuito. Pouco a pouco junto com o elenco principal vemos que algo está errado e acompanhamos eles na descoberta dos segredos perturbadores do lugar.

Herdal acerta e erra na construção do seu filme, mais acerta do que erra. Entre os acertos podemos citar: a bela fotografia que mostra os diferentes universos apresentados, usando uma fotografia azulada e fria para o mundo exterior e uma fotografia mais avermelhada dentro do hotel. Os planos longos e as rotações da câmera em algumas cenas, criam um ambiente de mistério que se torna assustador, pois como já dito não sabemos o que está por vir. A construção do cenário do hotel, repleto de corredores longos e escuros, quadros de animais mortos adicionam mais tensão as cenas vistas e tornam o hotel um personagem importante para a trama. Se tecnicamente o longa acerta, no roteiro ele deixa um pouco a desejar, pois se demora muito para descobrir algo. Em 60% da obra o que vemos é uma mãe buscando pela filha. É importante para o contexto, mas as coisas poderiam fluir de modo mais ágil. Afinal, o filme tem menos de 90 minutos e em 65 minutos quase nada é revelado. Porém, os minutos finais valem a pena e compensam a espera. O longa é quase uma montanha russa do terror, com altos e baixos, mas que no fim vale a pena.

Foto: Netflix/Divulgação

Alguns cortes abruptos ocorrem no filme, mas nada que prejudique demais. Falar mais da trama seria estragar as surpresas reservadas pelo filme norueguês. As atuações são boas no geral. Destaque para Thorbjørn Harr (Vikings) e Gitte Witt (A Espiã) que podem ter seus personagens resumidos como verdadeiras bússolas morais do filme.

Kadaver é um bom filme no geral, e brinca com a definição de gênero. Gostando ou não, do que é apresentado aqui, é impossível negar que o filme inova em alguns aspectos. Que venha o Halloween para saciar nossa fome por obras do gênero. Use esse filme como aperitivo (rs).

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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