qui, 6 outubro 2022

Crítica l O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface

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A partir dos preceitos do slasher, marcantes assassinos arrebataram as telas do cinema. Há quem diga que Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, fez nascer o gênero, mas há também quem jure que não; Halloween – A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, é tido como o maior responsável pela fórmula do estilo. Comparando obras tais quais Halloween (1978), Sexta-feira 13 (2018) e Pânico (1996), certas semelhanças agrupam esses e outros filmes em um molde específico: a presença de um serial killer, por vezes sem motivação, travestido de uma máscara e portando uma arma de corte, aniquilando em sequência, na sua maioria, jovens, não é uma mera coincidências entre nomes famosos do terror. Visto isso, de uns tempos para cá, a tendência de reviver certos slashers gerou um novo fôlego para a categoria, tendo como resultado a continuidade de A Rua do Medo em 2021, o recente Pânico 5 (2022), etc., e agora, por meio da Netflix, o derivado de O Massacre da Serra Elétrica, criado em 1974 . Será que, após quase 50 anos, o reboot do clássico, de subtítulo, no Brasil, O Retorno de Leatherface, dirigido por David Blue Garcia, veio para fazer jus ou para envergonhar o legado de seu originário?

Na trama de 2022, Melody (Sarah Yarkin), Dante (Jacob Latimore) e Ruth (Nell Hudson), decidem iniciar um empreendimento na cidade fantasma Harlow, no Texas. Embora seja assombrada pelos acontecimentos passados, os amigos decidem permanecer no local, até que forçam um despejo na casa de Leatherface, o temido causador do massacre ocorrido na década de 70. Movido pela vingança e por seu antigo hobbie, o matador segue com seu modus operandi para exterminar os jovens, incluindo a irmã mais nova de Mel, Lila (Elsie Fisher), levada na viagem por falta de opção de estadia, e quem estiver à sua frente. E, no meio do caos, uma mulher, sobrevivente à chacina que matou seus colegas na mesma Harlow, Sally Hardesty (Owen Fouéré), nutre igualmente um sentimento de revanche e vê nos novos eventos uma oportunidade de capturar o assassino.   

Legendary Pictures e Netflix/ Divulgação

Dado uma história conhecida por basicamente todo mundo, o enredo não se estabelece de maneira incompreensível. Na verdade, até se Leatherface e sua saga de abatimento de vítimas com requintes elevados de crueldade for desconhecida, o longa-metragem não deixa dúvidas do que ali acontece. Visivelmente sem a arrogância de parecer grandioso ou suntuoso o suficiente para nivelar-se com o material fonte, o filme pouco se preocupa em dar identidade aos personagens, seja isso encarado como um desleixo ou como uma artimanha para o desprendimento emocional destes, já que a previsão de morte para cada um está no destino da obra. Contudo, Melody e Lila – principalmente Lila e a vivência de um tiroteio em sua escola – atuam como pontos de alinhamento para com o público, que pode tocar-se pela conexão fraternal de ambas e pelas tentativas de se protegerem. Apesar disso, nada confere muita profundidade à narrativa. O foco principal no sangue, na visceralidade e no carnal dos momentos de dilaceramento dos indivíduos impede que se crie um vínculo eficiente.

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Repetindo o molde do primeiro O Massacre da Serra Elétrica e seu característico gore (ou seja, com cenas sanguinárias e de caráter repulsivo), o longa-metragem de 2022 não mede a dose de exagero na hora dos assassinatos, com seus membros cortados e sangues que jorram – o que já era de se esperar. Porém, a simplicidade com que tais fatalidade se dão, sem circunstâncias inesperadas ou formas inovadoras de se trucidar alguém, e o mantimento da aflição centralizado apenas nos instantes de fuga dos infelizes padecedores, desconsiderando o contexto anterior, retiram parte da força agoniante destas sequências. Por esquecer de dar explicações sobre a personalidade de seus protagonistas, o filme reduz sua tensão em algo planejado inclusive pelo espectador: o escape da vítima contra a brutalidade de Leatherface.

Então, torna-se trivial (dentro daquele universo, obviamente) as ações do serial killer, sempre amparado por sintetizadores que constituem uma trilha sonora de suspense comum. Acompanhado por algumas escolhas estilísticas piegas mas funcionais para acentuar o clima de pavor, a exemplo do céu nublado conduzido pela figura do assassino, Leatherface é medonho por sua representatividade, que, sobre ela, ainda é adicionado um lapso de Norman Bates, de Psicose, e sua fixação pela mãe. O personagem, tratado inteiramente como a motivação para o interesse na história, conta também com aparecimentos repentinos que “sugam” a luminosidade de qualquer locação; pelo menos, os vestígios da presença de Leatherface seguem uma expectativa.

Legendary Pictures e Netflix/ Divulgação

Devido a confusão envolvendo a direção de O Retorno de Leatherface, a obra exalta uma instabilidade na estética que, ainda que não estremeça tanto o visual, reflete em quesitos mais técnicos. Um deles, a montagem, promove uma desordem não observada no início do filme, comandado por Ryan e Andy Tohill. Passando a vez para David Blue Garcia, a câmera, em muitos instantes baixa e ampla, é capaz de registrar imagens de uma beleza expressiva, tal qual Leatherface em um campo de girassol ensolarado, que logo se transforma em chuva. No entanto, nenhuma novidade aos olhos é notada continuamente, ainda que o longa-metragem apresente uma cartilha de cores, áridas e terrenas como o Texas, parecida durante a 1 hora e 20 minutos de duração. Um acerto, aliás, está no tempo curto de exibição, razoável para um roteiro que não necessita de prolongamento. 

O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface dissemina o slasher girando em torno de sua premissa. E só. Todavia, a pretensão de fazer história ou equiparar-se a um dos mais relevantes modelos do gênero passa longe; um ponto para o filme. O reboot, porém, não tem muito o que dizer além de ressaltar a modernidade de um projeto realizado em 2022, sendo manuseados celulares e veículos de última geração, e um gore fresco e contemporâneo. Conservado, Leatherface é culpado pelos assassinatos, de criatividade acanhada, e pelo terror espalhado não só em Harlow, mas também na mente da audiência, fazendo, assim, as pouco mais de 1 hora não serem uma total perda de tempo. Agora, quanto às críticas desenvolvidas no filme de 1974, acerca de tópicos como racismo e conservadorismo, infelizmente, não há nada aqui. Trocando de papéis com tais análises, temos somente uma matança na qual uma serra elétrica é a executora. 

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