seg, 28 novembro 2022

Crítica | Lobisomem na Noite

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Criado em 1972, o Lobisomem surgiu na revista Marvel Spotlight #2, ideia do famoso quadrinista Roy Thomas. A concepção desse resgate das grandes figuras lendárias do terror foi apenas possível devido ao enfraquecimento das regras do Comics Code Authority, órgão que fiscalizava e censurava os quadrinhos americanos. O interesse da Marvel era procurar um lado diferente, buscando criar histórias de terror usando figuras conhecidíssimas do imaginário popular. A ideia deu certo e o quadrinho solo do personagem foi um sucesso, durando 43 edições. Agora, Jack Russel estreia pela primeira vez no MCU, acompanhado também da primeira direção do compositor Michael Giacchino e o novo formato de média metragem nos estúdios da Marvel.

Em uma noite escura e sombria, uma cabala secreta de caçadores de monstros emerge das sombras e se reúne no Templo Bloodstone após a morte de seu líder. Em um macabro memorial à vida do líder, os participantes são empurrados para uma misteriosa e mortal competição por uma relíquia poderosa — uma caçada que os colocará cara a cara com uma criatura perigosa”, diz a sinopse oficial da produção.

Lobisomem na Noite marca a estreia da Marvel no média metragem, uma tentativa diferente de apresentar personagens mais desconhecidos do grande público. Como uma primeira impressão, a sensação é de uma atração dos parques de diversão. Inofensiva, porém divertida e segura, até mesmo a violência promovida entra nesse encaixe, apresentando sim sangue e morte de forma coesa com o universo inserido. Quem estava esperando algo indo além do extremo apresentado na fase 4, pode se decepcionar, mas ainda assim é um avanço bacana para o estúdio, saindo um pouco daquela modéstia enjoativa dos últimos projetos.

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A construção do média metragem se dá com diversos elementos: desde a formação preto e branco da imagem, o pequeno detalhe dos picos no canto da tela indicando a troca de rolo na projeção, a trilha sonora lembrando os clássicos cinemas de horror. É uma tentativa de fazer algo diferente, de agarrar os mais desiludidos com a nova fase, mas ainda assim agradar seus queridos fãs fiéis.

Uma das coisas mais esperadas é a transformação e aparição do Lobisomem, e felizmente ela é alcançada. Aproximando lentamente no rosto de Laura Donnelly, acompanhamos sua expressão de horror ao ver Jack se transformando na icônica fera, é um bastante agradável a utilização de sombras deixam muito claro o quão aterrorizante é aquilo, mesmo sem ao menos mostrar. Quem esperava algo nível Lobisomem Americano em Londres (1981) pode se decepcionar, mas a criatividade do Giacchino em resgatar esse elemento de sugestão é ótima. Não diferente, a apresentação de combate da fera é curiosamente interessante, trazendo uma espécie de luta improvisada, pulando e usando todos os elementos de seu corpo, e obviamente sua fúria desigual.

Um elenco totalmente simpático, Gael García como Jack está totalmente a vontade, traz muita compaixão ao personagem, contrastando com sua forma monstruosa ao se transformar. Laura Donnelly interpreta Elsa Bloodstone, outra figura conhecida desse lado mais b (talvez até c) da Marvel. A personagem mostra muita ironia, mas também importância para o avanço da história, uma espécie de John Constantine suavizado. O resto dos atores fazem bem seu papel, mas por conta da limitação de tempo, alguns beiram as poucas falas e ações.

A maquiagem apresentada para o monstro é muito funcional, quiserem representar cem por cento a figura dos quadrinhos. Em relação ao Homem Coisa, o personagem em si é excelente, simpático, o pouco que aparece cativa, mas nas cenas em preto e branco notasse um estranhamento, principalmente quando se movimenta. Ao final, quando ocorre a transição para as cores, o incômodo some e o telespectador pode reparar mais nos detalhes da criatura, visualmente muito fiel.

Lobisomem na Noite é curiosamente divertido e em pouco tempo consegue fazer cativar por conta do bom trabalho de direção e seu elenco totalmente a vontade. Ele consegue deixar o gostinho de quero mais e brechas para futuros crossovers com outros personagens do estúdio. Essa nova modalidade de curta metragem pode ser uma boa pedida para se distanciar de algumas longas e enroladas séries dessa nova fase da Marvel, os 54 minutos não são nem um pouco sentidos. Voltem sempre Lobisomem e Homem Coisa!

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