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    Crítica | Love, Death & Robots – Volume 3

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    Love, Death & Robots – Volume 3 já está disponível na Netflix e está repleta de episódios brilhantes. Ao todo, a terceira temporada possui nove episódios e eles variam em tempo de execução de cerca de cinco minutos a 20 minutos.

    O terceiro volume de curtas-metragens de animação é equilibrado por episódios excelentes, regulares e outros ilógicos. Essa terceira temporada tem nove episódios, enquanto a 1ª temporada teve 18 e a 2ª temporada (possivelmente a mais fraca até aqui), oito.

    Percebemos que a grande crítica que os produtores vendem dessa vez é a arrogância e o ego humanos. A série já nos mostra onde iremos chegar se não melhorarmos. O caos já está inserido no mundo (guerras, a pandemia, a intolerância). O ser humano não precisa de armas, robôs e parasitas para se destruir. De acordo com a tese da série, a humanidade irá se matar sozinha com a própria prepotência.


    Tim Miller e David Fincher, criadores da série, conseguem contornar a situação e nos trazem um terceiro volume deslumbrante, que usa a animação ao seu favor. Love, Death & Robots tem, inclusive, potencial temático e formal para ir muito mais longe do que Black Mirror. Como se trata de animação, não há limites para o que qualquer um pode fazer, visualmente e narrativamente.

    Abaixo, um rápido resumo e comentário dos nove episódios (aviso de spoiler)

    Primeiro episódio: Os Três Robôs

    Tem-se aqui o retorno dos personagens que abriram a primeira temporada. O episódio de 10 minutos é claramente uma crítica à sociedade. O episódio focará em um futuro distópico onde a raça humana foi extinta por eles mesmos. A salvação, para os ricos, era a tecnologia, e eles deixam ser dominados por elas, os maltratando e escravizando.  A humanidade tinha todas as ferramentas para curar o planeta e se salvar, mas optaram por ganância e autogratificação.

    Os três robôs se concentram em todas as coisas que fizemos de errado e na facilidade com que poderíamos nos salvar.

    5/5

    Segundo episódio: Viagem Ruim

    Uma pegada mais supernatural e alucinante. Dirigido por David Fincher, que também é produtor executivo da série, tem-se aqui um acordo entre os pescadores de um barco com uma criatura mística. Aqui temos a presença do elemento do gênero do horror. O medo da criatura, a traição contra a própria espécie. Fincher usa os 20 minutos com a economia e precisão usual. Visualmente, é um deslumbre, mas também visceral e sangrento.  

    5/5

    Terceiro episódio: O Mesmo Pulso Da Máquina

    Já temos uma animação diferente (computadorizada e fundos pintados à mão). Temos mais uma pegada de ficção científica, com astronautas em uma Lua (creio que seja uma de Júpiter). A sobrevivência de uma pessoa sem contatos, sem oxigênio e longe de tudo. A história pode parecer um pouco distante ao longo do caminho, mas tudo se encaixa no desfecho. Temos uma atmosfera alucinante que trata de como lidar com a vida e a morte enquanto escuta-se o subconsciente.

    Vai de For All Mankind e Black Mirror até Perdidos Em Marte e Expanse.

    3/5

    Quarto episódio: Noite dos Minimortos

    Um episódio totalmente em time-lapse. Zumbis atacando uma cidade e se espalhando pelo mundo. O episódio é todo numa perspectiva mais distante, trazendo uma distância do público com o que nos é apresentado na tela. É essencialmente uma comédia de terror cheia de referências da cultura pop zumbi, você pode assistir várias vezes e continuar pegando algo novo, e a animação tem um estilo quase de GTA.

    2/5

    Quinto episódio: Matança em Grupo

    O que acontece quando se junta um grupo de homens, com armas e um objetivo desconhecido? Esse episódio te responderá todas essas questões: palavrões, piadas sobre pinto, matança e violência. Esse grupo está em busca  de um urso que foi modificado e se revolta contra os humanos. 

    Mais uma vez as revoltas da máquina estão presentes nos episódios. Uma experiência sangrenta e violenta que também se utiliza do humor (piadas bem tiozão para fazer tudo se encaixar). Episódio para completar a quantidade de episódios da temporada.

    1/5

    Observação: Nos episódios 4 e 5 o que salva são as piadas de cunho duvidoso.

    Sexto episódio: Enxame

    Aqui volta-se a um tom mais sério de crítica social. O episódio se passa no espaço, mas estamos principalmente dentro de uma colmeia cheia de criaturas intrigantes e inteligentes. O protagonista do episódio busca trazer recursos presentes no sistema orgânico do Enxame, que poderá trazer ordem ao caos da expansão humana. A intenção do Doutor é explorar o Enxame e não aproveitar os recursos para melhorar a raça. De se aproveitar do Ninho e de recursos para benefício próprio.

    3/5

    Sétimo Episódio: Ratos de Mason

    Para que espaço se temos uma roça e… ratos? A leptospirose voltou de uma maneira diferente. Estamos no futuro e parece que todas as coisas que colocamos no chão afetaram os ratos na fazenda de Mason. O ser humano muda o ambiente e os animais buscam formas de sobreviver. Vemos aqui como a indústria manipula e vende para lucrar. Um episódio sangrento com revolta de ratos. E com um final duvidosamente tosco.

    3/5

    Oitavo Episódio: Sepultados Na Caverna

    Mais armas, mais guerra e mais criaturas misteriosas. Este é um horror de ficção científica do tipo mortal. Completo com criaturas (de natureza orgânica e robótica) que podem devorar uma pessoa em segundos.  Essa criatura sombria tem uma vibe meio Cthulhu de Lovecraft. Talvez os fãs do autor gostem desse episódio.

    O episódio é só mais do mesmo e não tem nada inovador. Na verdade, o episódio é entediante com um final previsível, do tipo que gostamos e ficamos chocados.

    2/5

    Nono Episódio: Fazendeiro

    Definitivamente o episódio mais complicado em termos de significado, mas cujo saldo final cabe em diversas interpretações.

    Os velhos tentando frustrar uma sereia coberta de ouro, que dança em um lago e coloca todos os soldados uns contra os outros. Curiosamente, porém, um dos soldados é surdo e, como tal, o grito da sereia não tem efeito sobre ele.

    A história de Jibaro é principalmente sobre ganância, pois foi esse sentimento do Cavaleiro que levou à sua morte. Ele poderia ter deixado a floresta quando teve a chance, mas escolheu tirar tudo da sereia. Roubaram tudo dela. Podemos fazer uma alusão a um homem que tirou tudo de uma mulher que ficou sem nada. Ela sofreu. Tiraram tudo que lhe pertencia, ela foi desrespeitada e violada. O homem sofrerá as consequências desse abuso.

    Então, ao final, ele teve o mesmo destino de todos os outros cavaleiros que viajavam com ele. Até onde estamos dispostos a ir para consumir nossos desejos?

    4/5

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