Crítica | Luta por Justiça

Pode ser muito cedo para falar de premiação do Oscar 2021, mas saibam que temos um filme digno da premiação estreando nesse dia 20 de fevereiro nos cinemas, estou falando de Luta por Justiça. O longa vem para emocionar e revoltar! Lindo, tocante e necessário são os adjetivos que descrevem essa obra que toca num tema – que infelizmente, ainda é manchete em vários países – horrendo que é o racismo. O longa é baseado numa história real e tem uma dupla de protagonistas em atuações fantásticas!

Luta por Justiça conta a história de Walter McMillian, homem negro que foi preso no Alabama (EUA) acusado de assassinar uma jovem e condenado a pena de morte. Mesmo com a ausência de provas e dos protestos dos familiares e da comunidade negra local que alegava que ele havia sido condenado injustamente, sua sentença foi mantida. Após um tempo o advogado Bryan Stevenson, advogado negro recém-formado em Harvard, assume o caso de McMillian. Juntos, travam uma luta contra o tempo para que a verdade venha à tona antes que seja tarde demais.

O roteiro baseado no livro Just Mercy, escrito por Stevenson, reascende com louvor o debate existente em torno das questões do preconceito racial nos Estados Unidos e consegue ir além, fazendo uma co-relação desse tema com outras questões pertinentes, entre elas podemos citar a pena de morte, que atualmente é aplicada em cerca de 30 estados americanos, na qual a maior parte das pessoas que vão para o corredor da morte são os menos favorecidos e alguns presos injustiçados, sendo a maioria esmagadora constituída de afro-americanos. A trama inicia mostrando a abordagem e prisão de McMillian que ocorre sem nenhuma prova e foca na abordagem de Stevenson, em especial nas elaborações de estratégias para reverter a injustiça cometida. O filme opta, brilhantemente, em não se prender ao drama familiar (ele existe, mas não é o centro da história), assim a situação é vista do ponto de vista do advogado que mostra mais o racismo institucional existente na cidade. Essa proposta consegue ser ainda mais cruel e repulsiva, um acerto notável do roteiro escrito pela dupla Destin Cretton e Andrew Lanham (O Castelo de Vidro).


A direção de Destin Daniel Cretton (O Castelo de Vidro) é magistral! O diretor consegue aliar sensibilidade e tensão em diversas cenas, coisas habituais do cotidiano são mostradas de modo realista, que te deixarão abismados quando elas ocorrem com “pessoas de cor”. Algumas cenas te levarão as lágrimas (como a cena da cadeira elétrica) e podem te deixar perplexos por um tempo. Parte do mérito se deve também ao elenco que está muito bem em cena. Os destaque são Michael B. Jordan (Pantera Negra) que conquista com seu carisma o público e mostra um lado mais sério na sua interpretação. Outro que rouba a cena, e se houver justiça deve (merece) ser indicado a melhor ator coadjuvante, é Jamie Foxx (Django Livre) que irá arrancar lágrimas com sua atuação soberba, o ator passa a emoção necessária para que possamos nos colocar em seu lugar. Uma atuação fantástica! Brie Larson (Capitã Marvel) não possui tanto tempo em tela, mas cumpre bem o seu papel. Outro destaque do filme é a trilha sonora que aparece em poucos momentos mas, quando aparece acrescenta bastante emoção as cenas.

Luta por Justiça não inova em sua narrativa, nem possui um apreço técnico invejável, mas conta sua história com o coração de um modo que com certeza deve te fazer refletir sobre suas ações e, porque não, te emocionar. Num mundo onde se pede mais empatia pelo próximo, este filme é mais do que obrigatório para se entender que cor, credo e gênero não definem caráter e muito menos a culpa de alguém. Leve o seu lencinho e vá conferir esse filme, boa sessão!

NOTA
Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios.

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