Ao escrever essa crítica tenho uma certeza. Muita gente ao sair do cinema após ver Mãe! dirá “que p*rr@ foi essa que vi“. Algumas por não compreenderem a visão do cineasta, já outros irão sair perturbados com a visão dele. Mas garanto, o filme é bom e vale a pena ser conferido.

O novo filme de Darren Aronofsky (Cisne Negro) é feito e esculpido em metáforas, metáforas essas que do início ao meio do filme talvez não sejam compreendidas, porém durante toda a projeção são dadas ao espectador dicas do que se passa, e essas dicas (aliadas as metáforas vistas) no fim farão sentido. É isso caro leitor é uma das coisas que irá lhe perturbar na saída do filme, pois tenha certeza esse filme fará você refletir bastante.

Um ponto bastante positivo do filme é o seu ritmo, pois na primeira hora (o filme tem 2 horas de duração) temos um filme cadenciado na qual a protagonista Jennifer Lawrence (Passageiros) vai investigando os “invasores” e com o tempo vai descobrindo fatos no mínimo bizarros, porém do meio pro fim temos um filme que aborda tantos eventos que o filme fica (no melhor sentido) caótico, fazendo com que você junto com a protagonista entre numa espiral de desespero e angústia duvidando que aquilo visto realmente esteja acontecendo. Neste momento é que temos a execução de um dos mais bem realizados plano-sequência da história do cinema. Culpa de uma montagem e direção dignas de Oscar!

O roteiro que também é escrito por Aronofsky é baseado nas clássicas histórias de horror do cinema retratando a vulnerabilidade humana, visto aqui pelo ponto de vista de Lawrence, que a todo momento é acompanhada pela câmera. Em todos os momentos estamos lado a lado com a protagonista, nas suas descobertas, a câmera só muda o foco quando que dar destaque as reações de pavor ou horror de sua “deusa”. Estamos tão intimamente ligados a protagonista que, por exemplo, ouvimos só o que ela ouve – nunca ouvimos o que ela ouve nos diálogos do seu misterioso marido vivido Javier Barden (Piratas do Caribe) com os estranhos em sua casa – porém ouvimos todos os barulhos estranhos da casa que são transmitidos com extrema e assustadora clareza. Essa relação da casa (que também é uma personagem) com a personagem de Lawrence é uma das metáforas do filme.

E o que falar das atuações? Poderia passar o dia falando do belo trabalho realizado por eles. Mas em resumo estão todos excelentes. Destaque para Jennifer Lawrence que carrega o filme nas costas e (na minha opinião) merece uma indicação ao Oscar 2018. Destaque também para as atuações de Ed Harris e Michelle Pfeiffer que fazem os invasores iniciais e são o ponto de partida para essa viagem ao inferno.

O único erro de Mãe! E o seu Marketing, a sua divulgação, o filme é vendido como um filme de terror psicológico, porém saiba este filme está muito acima disso, sim ele irá lhe perturbar e deixar horrorizado, mas não por lhe dar sustos. Mas por razões que não posso dizer para não estragar a sua experiência cinematográfica.

Em resumo, Mãe! É um dos melhores filmes do ano, tecnicamente impecável na execução e direção. Uma experiência perturbadora que lhe fará refletir sobre a humanidade e o futuro. Vale a pena conferir!