Lee Cronin, diretor irlandês, está de volta para mais um projeto de terror, depois de dirigir ‘O Bosque Maldito’ (2019) e ‘A Morte do Demônio: A Ascensão’ (2023), retorna para dirigir e roteirizar ‘Maldição da Múmia’. O filme tem como estrelas Jack Reynor – conhecido por ‘Mindsommar: O Mal Não Espera a Noite’ (2019) e ‘Sing Street: Música e Sonho’ (2016) – e Laia Costa – conhecida por ‘Victoria’ (2015).
Após o desaparecimento de Katie (interpretada por Natalie Grace e Emily Mitchell), Charlie (interpretado por Jack Reynor) e Larissa (interpretada por Laia Costa) tentam recomeçar a vida no Novo México. Oito anos depois, a filha retorna para casa.
É comum nos filmes de terror atuais uma certa padronização e um nível bem abaixo, narrativas que tentam falar (e como falam…) de tantas coisas e não acabam falando nada. Alguns filmes recentes como ‘O Ritual’ (2025) e ‘O Som da Morte’ (2026) exploram o terror do jeito superficial que, tirando raras exceções, nos acostumamos a ver. ‘Maldição da Múmia’ acaba caindo nessas mesmas “armadilhas” em alguns momentos, mas no geral possui uma visão artística e bem mais robusta, atrelando a experiência do terror, do suspense com o drama familiar e reflexões sobre a paternidade e maternidade. O peso dado aos pais, tanto para Larissa quanto para Charlie, é justamente o que ancora o filme quando o sobrenatural ameaça descarrilar a narrativa. Em vez de usar a maldição apenas como um dispositivo de susto fácil, a obra transforma esse elemento em algo quase hereditário, como se o horror fosse menos uma entidade externa e mais uma herança emocional mal resolvida, passada de geração em geração.

Larissa e Charlie não estão apenas reagindo ao inexplicável, eles estão, cada um à sua maneira, tentando reescrever os próprios traumas enquanto falham em proteger o que mais importa. E é nesse conflito que o filme encontra sua força, o terror não está só na maldição em si, mas no medo de repetir padrões, de se tornar aquilo que um dia os feriu. Visualmente, o filme também demonstra mais personalidade do que a média recente do gênero. Há uma preocupação em construir atmosfera com paciência, usando silêncios prolongados, enquadramentos que sugerem mais do que mostram e uma fotografia no geral que usa bem o contraste de cores quentes e frias para destacar os sentimentos em tela. Ainda assim, o filme não escapa completamente de certos vícios contemporâneos. Em alguns momentos, especialmente no terceiro ato, há uma tendência a explicar demais o que antes era sugestivo, quase como se desconfiasse da própria capacidade de manter aquelas ideias que estabeleceu anteriormente. Isso dilui parte do impacto e aproxima a narrativa daquele didatismo que o próprio filme parecia evitar no início.
‘Maldição da Múmia’ se destaca por tentar algo além do básico. Ele entende que o terror mais duradouro não é apenas pelo susto gratuito e sim por quanto ele ecoa na mente do espectador. E, ao entrelaçar o sobrenatural com dramas íntimos, o filme consegue elevar o nível do seu gênero e construir uma boa análise familiar, ainda que cometa deslizes no ato final.


