Em Manual Prático da Vingança Lucrativa, Becket Redfellow (Glen Powell) é um homem deserdado por sua família multibilionária. Para recuperar os US$ 28 bilhões a que acredita ter direito, ele decide eliminar um a um os sete parentes que estão em seu caminho.
A comédia sombria de humor ácido dirigida por John Patton Ford (Emily the Criminal) aposta todas as suas fichas no carisma de Glen Powell (O Sobrevivente) e a produção confirma os motivos do ator ser um dos mais populares de Hollywood. O roteiro escrito pelo diretor constrói um personagem naturalmente magnético e espirituoso, que consegue carregar a narrativa com facilidade. O problema é que o filme filme foca tanto em preservar o carisma do personagem e as suas intenções, que não existe nenhum conflito moral realmente interessante. O que prejudica o interesse do público.

A premissa é interessante e poderia criar uma trama sobre ambição, dinheiro e os limites da ética. Mas a produção só flerta com esses temas e nunca aborda os temas de modo provocativo ou interessante. Sempre que surge a oportunidade de explorar as consequências das escolhas do protagonista, o roteiro recua. Os atos do personagem jamais são questionados. Pelo contrário, sempre que possível a trama prefere suavizar e nunca apresenta seu protagonista como alguém ambíguo. A trama é ágil, envolvente e muito bem feita. Mas sempre fica a sensação de que algo está faltando no desenrolar da história. Por fim, o restante do talentoso elenco é desperdiçado em participações breves.
O Manual Prático da Vingança Lucrativa desperdiça o seu potencial e mesmo tendo momentos pontuais relevantes, ainda falta algo e o resultado disso é um filme fútil e sem peso. A produção prefere optar pela presença de um protagonista simpático à ousadia de contar uma história que realmente desafie seu público. Uma decepção!


