Me Tira da Mira traça sua trama em torno de uma policial que, não satisfeita com a decisão de encerrar um de seus casos como suicidio, decide investigar o caso por conta própria em uma clínica de realinhamento energético, que suspeita que tenha algum tipo de ligação com o caso.
O filme tem um enredo que poderia gerar um roteiro muito bom, mas, infelizmente a presença de alguns diálogos rasos e imediatistas acabam fazendo com que o roteiro se desenvolva de forma medíocre. O ponto forte desses diálogos são as diversas referências e sutis quebras da “quarta parede”, como quando o personagem de Fábio Júnior diz que o personagem de Fiuk poderia ser seu filho. Com essas pequenas exceções, o humor do filme é forçado e sem graça e pode causar altas doses de vergonha alheia.
Outro ponto a ser reforçado é a abordagem de temas muito atuais, como a “cultura do cancelamento” e a volta de clínicas terapêuticas não convencionais, o que tem sido o terror da psicologia. Por mais que interessantes, os temas são apontados de forma leviana e sem muita referência, fazendo com que novamente se torne mais uma tentativa frustrada de arrancar risadas do público.
As cenas de ação são basicamente ruins, e dão a impressão de que foram feitas às pressas, sem nenhum treinamento que em geral é utilizado nesse tipo de cena.
Mas o que realmente mais causa incômodo é a atuação realmente deplorável de grande parte do elenco. Com algumas exceções de atores e atrizes que já estão no mercado de cinema há algum tempo, a tentativa de incluir sub-celebridades que não são necessariamente profissionais fez com que o filme parecesse um experimento sem orçamento para atrizes e atores reais, se você não sabe quem são essas “sub-celebs”.
Pode-se afirmar que o filme não é de todo ruim, e é um grande passo para as produções nacionais que estão saindo um pouco da nossa zona do senso comum, mas ainda existem centenas de passos a serem dados para que não retrocedamos em questões de atuação e roteiro.