Michael é uma cinebiografia musical, dirigida por Antoine Fuqua (O Protetor), que retrata a vida e o legado de Michael Jackson, interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson. O filme narra sua jornada desde o sucesso no Jackson Five até se tornar o “Rei do Pop”, abordando seu talento, genialidade, ambição criativa e os desafios pessoais.
Fuqua tem como ambição mostrar nas telonas a complexa e atribulada vida de Michael Jackson. É o primeiro elogio a ser feito é que a produção é um verdadeiro triunfo visual e técnico. As cenas que remetem aos shows do astro transportam o espectador para os shows e clipes. É impossível ficar parado ao ver tantos hits sendo apresentados durante os 130 minutos de duração. A montagem faz o tempo voar e a produção aproveita para mostrar os bastidores de diversos momentos icônicos da carreira do cantor, da sua juventude até o último show da Victory Tour.

Outro destaque são as atuações dos estreantes Jaafar Jackson e Juliano Valdi, que dão vida a Michael Jackson em diferentes fases de sua vida. Ambos dominam o palco com uma precisão milimétrica, que só o Rei do Pop conseguiria executar, mas é nos momentos de vulnerabilidade que eles realmente brilham. As canções apresentadas por eles contam com um mix da voz dos atores com a do astro, é o resultado é sensacional! Destaque também para a atuação de Colman Domingo (Sing Sing) que dá vida ao pai de Michael, em uma atuação digna de premiações.
O problema, se é que se pode chamar de problema, reside no roteiro. A trama escolhe como fio narrativo a traumática relação entre Michael e seu pai, Joe Jackson. A produção apresenta ele como um vilão que lapidou o gênio gerando diversos traumas. O problema é que a trama nunca dá espaço para que o espectador entenda o por que dele cobrar tanto dos filhos. Além disso, a produção reduz o papel da mãe a um porto seguro, que é pouco desenvolvido. Os irmãos do astro são apenas meros figurantes de luxo, não tendo espaço para vermos a sua relação com o cantor.

Nos negócios Michael é apresentado como um perfeccionista obsessivo, algo que pode ser influenciado pela sua relação com o pai. Mas esse comportamento nunca é satisfatoriamente abordado. A relação caótica com o pai surge, gera atritos e desaparece, para ressurgir em outro momento e repetir o ciclo vicioso. Por fim, o ato final pode dividir os fãs, devido a decisão da direção de encerrar a trama no auge da carreira do cantor, dando espaço para que num próximo filme possamos ver o declínio.
Michael é uma cinebiografia que transita entre o incrível espetáculo visual e um tímido retrato íntimo. Mesmo com essas oscilações a produção deve agradar aos fãs por conseguir celebrar a sua carreira do cantor, mostrando os seus sucessos em uma produção que entrega uma boa dose de emoção e nostalgia.


