qua, 10 junho 2026

Crítica | Minha Pequena Terra

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O choque cultural ao observar uma cultura tão longe da nossa como a presente no Japão nem sempre é algo agradável de se acompanhar. Em Minha Pequena Terra, filme que estreia na direção Ema Kawawada, acompanhamos uma família refugiada da Turquia devido a problemas políticos e que vão buscar refúgio no Japão. Dessa família, o maior foco é Sarya, vivida por Lina Arashi, uma adolescente de 17 anos que busca com todos os esforços possíveis, se adaptar no novo país e cultura. O que pode ser confundido com dedicação e boas maneiras, esconde um certo desespero e ansiedade, em uma cena específica observamos a irmã mais nova de Sarya falar que ninguém se esforça mais que ela, nesse momento a obra traz uma sensibilidade na sua narrativa, Sarya é uma das melhores da turma, trabalha para ajudar nas contas, tais atos são a tentativa da jovem de realizar uma integração saudável no novo país.

Porém todo esforço acaba se tornando em vão quando o visto de refúgio de seu pai é negado e toda a vida que Sarya construiu no novo lar é jogada fora. Mesmo tendo suporte por parte da comunidade em que vivem, seja a família de um amigo próximo da jovem ou até o chefe da loja em que Sarya trabalha de atendente, não é o suficiente para ajudar a família de protagonistas. A cada cena de Lina Arashi sentimos uma atuação que demonstra esforço, tênue e modesto da adolescente ao sentir aos poucos o pavor nos olhos de seu pai e a necessidade de conforto para seus irmãos mais novos.

O conflito de Minha Pequena Terra é real e agoniante, apesar do filme não nos mostrar uma personificação oficial de antagonismo, a direção de Kawawada nos dá o maior exercício de empatia com a família. A cada cena com longas tomadas e uma câmera parada entregando ao espectador a sensação que está observando a história por fora, mas não menos importante para o seu desenrolar. 

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Minha Pequena Terra é um retrato sensível e emocionante que marca a estreia brilhante de Ema Kawawada, assinando tanto a direção quanto o roteiro, a artista nos convida a observar e simpatizar com os desafios de Sarya e sua família que marca uma atuação brilhante da protagonista assim como o resto do elenco.

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