ter, 20 fevereiro 2024

Crítica | Moneyboys

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     Homossexualidade é um assunto que, mesmo dentro de um contexto progressista ainda gera polêmicas. Se no ocidente, onde a suposta ascensão da “cultura woke” já choca camadas mais conservadoras da sociedade, em países onde o senso coletivo é mais forte que o individual, como em alguns no extremo oriente, a desconstrução de um pensamento conservador pode ser muito mais difícil (mesmo que os costumes em si tenham fundamentos um tanto diferentes dos nossos) e é nesse contexto que C.B. Yi constrói a trama de Moneyboys.

      O filme acompanha Fei (Ko Chen-Tung), um jovem que ganha a vida como garoto de programa em Taiwan. Ele está afastado de sua família mas ainda assim os ajuda financeiramente com seu trabalho nas ruas. Tudo muda após uma série de incidentes na vida do jovem, que se vê obrigado a encarar suas relações tanto românticas quanto familiares enquanto tenta preservar seu estilo de vida. 

     Uma leitura inicial de Moneyboys pode indicar a violência sistemática contra o homem homossexual como seu ponto principal (e inegavelmente esse é um elemento central do longa) mas talvez para o público ocidental seja interessante também observar a forma como essa violência funciona na prática dentro de um contexto de organização social diferente. A partir do momento em que o filme reduz seu recorte à uma perspectiva muito masculina do assunto, ele também consegue extrair o dilema que existe entre um pensamento de dever social atribuído ao homem e a dor de se sentir alienado da capacidade de concluir esse dever uma vez que Fei não se adequa à uma expectativa de masculinidade.

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      Yi utiliza também do contraste entre campo e cidade no filme que se expressa não só pelos cenários mas também pela forma como ele filma as locações, usando da cor como força para capturar os altos e baixos de Fei em sua história. A presença de um céu quase permanentemente nublado se divide pelo eventual calor do néon de boates, ou de quartos de hotel e a frieza de ruas úmidas e pouco convidativas.

      Ainda que o filme seja bem efetivo em sua mensagem, talvez as digressões de Moneyboys sejam seu maior problema. Apesar de no geral ter uma narrativa bem objetiva e que flui de maneira natural, existem dois ou três trechos que atrapalham o ritmo do longa e não tem tanto a acrescentar para o esquema geral que vinha sendo trabalhado. Sendo momentos que até poderiam trazer uma carga emocional forte para a história mas que acabam sendo mal posicionados.

      Independente, o filme ainda é obra sólida mesmo que pouco surpreendente. C.B. Yi consegue em Moneyboys trazer um ponto de vista que transita entre o frio e o sentimental sem se deixar diminuir ou perder seu equilíbrio.

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Fabrizio Ferrohttps://estacaonerd.com/
Artista Visual de São Paulo-SP
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