A produção lembra muito a dinâmica do polêmico “Green Book” que inexplicavelmente ganhou o oscar de 2019. Não é apenas problemático em como lida com o racismo em sua história, mas parece não atribuir um peso daquilo com sua narrativa, pois até quando chega o clímax do filme ele lida com aquilo tudo de uma forma bastante simplista e protocolar.
No Limite da Justiça conta uma história que acompanha um agente negro do FBI (Yahya Abdul-Mateen II) quando ele precisa se juntar a Greg Scarpa (Mark Wahlberg), um poderoso assassino da máfia, para tentar investigar os assassinatos brutais contra líderes dos direitos civis no Mississippi na década de 1960. Quando a vingança começa a se confundir com a missão, eles se unem cada vez mais em uma caçada mortal. Agora, apesar de seus valores completamente divididos, eles entenderão que a lei tem limites, já eles não.
Uma das polêmicas envolvendo o filme ligada com o resultado final da obra é um boicote da família de Dahmer, parentes do ativista nero que lutou pelo direito aos votos e assassinado por membros da KKK. A alegação crítica justamente essa bagunça que o filme cria em torna do real acontecimento e o peso dos personagens envolvidos, uma vez que a participação de Gregory, personagem vivido por Mark Wahlberg não foi tão importante como retratado no filme. E até faz sentido essa alegação, uma vez que no longa fica impresso essa síndrome de “branco salvador” e se utilizar dele para essa dinâmica mais seria é um problema, ainda mais, levando em conta que o mafioso era racista.

É o principal problema do filme fica por conta de buscar essa dinâmica ah lá “Maquina Mortífera”, mas de uma maneira mais seria devido a situação, e claramente não funciona. Uma vez que o peso não é passado aqui, apesar das boas cenas de drama entre os atores e destaque para a cena de assassinato de Dahmer, onde vemos ao menos alguma precisão com os fatos históricos do ocorrido e forte atuação de Giancarlo Esposito. Ele que focar mais nessa dinâmica buddy movie e acaba deixando de lado um conflito mais profundo sobre segregação, racismo e violência. Coisa que diretores como Spike Lee retrataram magistralmente em suas obras, principalmente em um dos seus últimos filmes: “Infiltrado na Klan”.
E apesar dos problemas de tom e todos citados anteriormente, o filme possui boas interações entre os personagens, a química de buddy movie entre os dois funciona e traz aquela testosterona para suas atitudes. O lance envolvendo o dilema do protagonista Wayne possui boas intenções com a justiça que ele busca ao longo do filme, mesmo que ao se aprofundar um pouco nisso o filme abruptamente termine. E de extraenvolvendo o personagem de Gregory, a decisão de manter a fidelidade com o real mafioso em relação ao nariz foi péssimo, não combinou e acaba distraindo até o final do filme.
No Limite da Justiça é uma aposta de buddy movie com uma situação extremamente séria e importante para os acontecimentos da luta racial nos EUA dos anos 60. Ele possui muitos problemas semelhantes a “Green Book” e, com certeza, essa dinâmica parecida foi uma escolha proposital. Por conta desse tipo de decisão justifica o drama raso e até diversos momentos caricatos envolvendo o racismo e o personagem do Mark Walhberg.


