qua, 18 maio 2022

Crítica | O Homem do Norte

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Sanguinário e Visceral! Esses são dois dos diversos adjetivos que podem ser feitos ao novo filme do diretor Robert Eggers (O Farol), O Homem do Norte. A produção que estreia nesta quinta-feira (12) é baseada em um conto nórdico sobre o príncipe Amleth, que aborda as origens do mito sobre a fundação da cultura nórdica. Na versão vista no cinema, Eggers realiza uma releitura deste conto para criar um thriller épico de vingança que explora quão longe um príncipe Viking é capaz de ir para fazer justiça pelo assassinato do seu pai.

IGN / Divulgação

O roteiro escrito por Eggers em parceria com o dramaturgo islandês Sigurjón Birgir Sigurðsson cria uma narrativa sangrenta e fiel a cultura nórdica. A produção obedece a cartilha dos diversos filmes de vingança e não apresenta nenhuma reviravolta ou novidade, mas o trabalho que Eggers consegue desenvolver tanto no texto como na direção, esses sim são impecáveis e inéditos. O homem guerreiro e quase que primitivo é o protagonista dessa história, que usa a brutalidade das situações como fio condutor dessa trama que foi divididas em atos, para facilitar o entendimento do enredo que conta com diversos saltos temporais, e principalmente para dar a obra um ar de teatro, fato que combina com o que é visto na tela.

O mantra “Eu vou vingá-lo, pai. Eu vou salvá-la, mãe. Eu vou matá-lo, Fjölnr.”, serve para mostrar os objetivos do personagem e também para mostrar a evolução do protagonista que num primeiro momento é apresentado como um jovem ingênuo e que, depois do fato ocorrido, se torna um saqueador letal de olhos frios que é interpretado por Alexander Skarsgard (Godzilla vs Kong), em uma atuação excepcional do ator. São nos pequenos detalhes que moram os grandes acertos dessa produção. Tudo apresentado é feito com uma fidelidade monstruosa: roupas, adornos, armas, locais são recriados com uma riqueza de detalhes monumental. O design de produção e os figurinos merecem ser lembrados no Oscar 2023 pela perfeição. A direção consegue abordar diversos elementos da cultura nórdica de modo crível e sem soar forçados, todos os elementos são inseridos de modo orgânico na trama. A produção ainda conta com uma fotografia espetacular que apresenta as estonteantes paisagens da Islândia e transforma elas quase que em testemunhas das atrocidades cometidas em prol de uma vingança.

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Eggers usa e abusa da violência nas cenas de combate. A brutalidade que algumas situações apresentam são chocantes. Os combates são muito bem filmados e coreografados. No quesito atuação temos um elenco afiado e que consegue desempenhar seus papéis com louvor. Skarsgard e Anya Taylor-Joy (A Bruxa) fazem um casal que se complementa em tela. Claes Bang (Drácula) é imponente em sua atuação e Nicole Kidman usa do seu talento para apresentar uma performance astuta e pra lá de teatral, algo que engrandece ainda mais sua personagem.

IGN / Divulgação

O ponto mais fraco da produção acontece no terceiro ato, onde vemos a batalha final que não consegue dar realmente um final digno a epopéia apresentada. O fim mostra as consequências dessa situação e a resolução soa anti-climática, já que a situação nunca atinge um ápice digno de tudo que foi apresentado.

O Homem do Norte é um incrível thriller de vingança que faz jus ao termo ÉPICO e que mostra que os homens são animais raivosos, e que podem abandonar suas crenças em prol da justiça com as próprias mãos. Se possível, assista essa diversão sangrenta criada por Eggers nos cinemas.

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Hiccaro Rodrigueshttps://estacaonerd.com
Eu ia falar um monte de coisa aqui sobre mim, mas melhor não pois eu gosto de mistérios. Contato: [email protected]

1 COMENTÁRIO

  1. Eu recomendo demais o livro Amleth, que tem a história original do século 12 em que o filme foi inspirado. Saiu uma versão brasileira há pouco tempo. Vale muito a pena.

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