
Baseado no livro de mesmo nome, O Homem que Sussurra segue um escritor de romances policiais em luto após seu filho de oito anos ter sido sequestrado. Graças ao terrível acontecimento, o autor recorre a seu pai, um ex-detetive policial aposentado, para ajudá-lo a investigar o caso. Durante as buscas, eles descobrem uma conexão estranha com um antigo caso envolvendo um assassino em série condenado conhecido como O Homem que Sussurra.
O suspense dirigido por James Ashcroft (Ovelha Negra) possui altos e baixos em sua frenética narrativa. A produção quer explorar muitos gêneros em apenas 120 minutos. Terror sobrenatural, suspense e drama familiar caminham juntos e a mistura não funciona tão bem, pois não existe margem para que o espectador mature o que acontece. Não existe tempo para se assustar, questionar as ações, entender as pistas e, principalmente, se importar com a relação entre pai e filho vividos por Adam Scott (Ruptura) e Robert De Niro (O Irlandês).

Os diálogos são fracos, tudo é exposto e nada é sentido. Diversas situações acontecem apenas pela conveniência do roteiro. A revelação de quem é o serial killer, ocorre de modo abrupto e sem muitas reviravoltas. O que enfraquece o enredo. A investigação até que acontece de modo satisfatório. Muito pela atuação magnética de Michelle Monaghan (Plano em Família). Já Scott e De Niro entregam atuações abaixo do seus potenciais. Scott grita e berra afim de dar profundidade aos sentimentos do seu personagem, já De Niro está em um piloto automático e só repete suas falas sem se doar.
Referências visuais e narrativas a clássicos como O Silêncio dos Inocentes e Seven surgem aqui e ali na trama. A fotografia em tons de cinza, agrega valor ao mostrar como este universo é sinistro e deixa, as cenas focadas no sobrenatural, bem tensas. Pena que estes momentos surgem em tela, mas nunca são explicados. A violência é bem explorada e quando surge revela os melhores momentos do filme.
O Homem que Sussurra não é um suspense ruim da Netflix, mas deixa a desejar no desenvolvimento da sua história. É tanto material (bom) não desenvolvido, que fica a sensação de que a produção seria muito melhor se fosse construída como uma minissérie. O serviço de streaming perdeu a chance de apresentar ao público uma obra prima.


