sáb, 20 julho 2024

Crítica | O Lobo Viking

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Em “O Lobo Viking” (Vikingulven), nova produção norueguesa no catálogo da Netflix, a adolescente Thale (Elli Rhiannon Müller Osborne), que acaba de se mudar para uma cidadezinha, testemunha um assassinato brutal na floresta. Depois disso, ela começa a ter visões e desejos bizarros.

Inspirado na mitologia nórdica de Fenrir, o Cão do Inferno, filho do Deus Loki, O Lobo Viking apresenta, com uma visão diferente, a besta logo no início, de forma rápida, porém até bem inspirada, a ponto de fazer o público acreditar que uma grande história estaria por se desenrolar, ao longo da trama. Fiéis adordores de histórias de lobisomem e de lendas mitológicas tinham, de fato, grandes expectativas, afinal foi oferecido um generoso prato de entretenimento ao público. Porém, uma vez experimentado, tal conteúdo só apresenta um infeliz amargor difícil de digerir.

Desprovido de criatividade ou intenções de desenvolver uma história, a princípio, interessante, o roteiro de Espen Aukan e Stig Svendsen adere a infeliz opção de se escorar no simples e no confortável, contando a história de uma adolescente com confitos pessoais que se vê “amaldiçoada”, após o contato com o Lobisomem, o que dá ao filme um ar de terror adolescente, mas sem qualquer charme ou artifícios que pudessem chamar atenção ou servir de diferencial. A narrativa também divide espaço com uma desinteressante investigação policial sobre o caso, baseada em evidências facilmente encontradas e em depoimentos de um personagem que surge sem mais, nem menos, que dá explicações sobre a besta fera que ameaça a cidade. Tal coadjuvante, o caçador Lars Brodin, interpretado pelo ator veterano Ståle Bjørnhaug, podia ter sido o impulsionador de uma subtrama investigativa mais intrigante, que renderia bons momentos de ação e um embate à lá Drácula versus Van Helsing, mas, infelizmente, o longa preferiu deixá-lo como um mero figurante, desperdiçando, dessa forma, um personagem interessante.

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Foto: Netflix/Reprodução

O mesmo se dá com a própria protagonista Thale, em seu processo de licantropia, que é mal aproveitado, além de pouco fazer uso do horror corporal mais gráfico, discretamente introduzido, mas que se perde com as questionáveis escolhas de roteiro e da direção no mínimo preguiçosa de Stig Svendsen, além de sofrer nas mãos de recursos técnicos sofríveis, como uma maquiagem abaixo do nível “Noite do Terror” de parques de diversão, além de efeitos computadorizados com gráficos vindos de jogos da década de 2010. Façamos, porém, justiça às poucas cenas em que o Lobisomem, neste caso, Lupina, aparece, pois é perceptível que a produção tenha gastado metade do orçamento do longa para dar texturas aos pêlos negros e brilhos no olhar heterocromático da criatura, que se destacam mesmo que o conjunto da obra resulte num efeito visual pífio para os padrões das produções atuais. Voltando a falar da personagem principal, esta precisa dividir seu tempo em tela com as subtramas mencionadas anteriormente, o que dificulta o público em acompanhar seu drama pessoal, que também envole uma conturbada relação com a mãe e com colegas de escola. A atriz Elli Rhiannon Müller Osborne procura se esforçar para entregar uma atuação convincente e superar um mal roteiro, o que é sucedido quanto a jovem demosntra emoções e nas cenas da transformação.

É importante destacar que, quem realmente se esforçou para mover o filme e superar todos os seus pontos negativos, foi Liv Mjönes, que interpreta a mãe da protagonista e delegada da cidade. A atriz consegue mergulhar nos dois papéis que le foram incumbidos. Outro destaque vai para a jovem Mia Fosshaug Laubacher, que interpreta a irmã de Thale, Jenny, que é deficiente auditiva. Fora as atuações destacadas, pouco pode ser falado das demais, que entregam, além de frases de efeito já batidas, comportamentos igualmente clichês perante situações mostradas em filmes de terror.

Foto: Netflix/Reprodução

Falando em terror, pouco podemos extrair da essência do tão aclamado gênero, em O Lobo Viking. O horror gráfico não empolga, o suspense e a aflição provocados pela presença da criatura não surpreendem, tampouco chegam a gerar sustos. Quando os poucos recursos aqui apresenados não funcionam, o longa, infelizmente, adquire um selo de genérico.

O Lobo Viking peca principalmente em não aproveitar o contexto de sua história associado à emblemática miologia nórdica, além de apresenar uma narraiva desineressante, com uma direção pouco inspirada e efeitos quase desastrosos. Pelo menos, conta com atuações regulares e belas paisagens da Noruega.

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