Crítica | O Mau Exemplo de Cameron Post

Ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance e finalista no Troféu Bandeira Paulista na Mostra de Cinema Internacional de São Paulo, “O Mau Exemplo de Cameron Post”, de Desiree Akhavan, estreia dia 18 de abril.

O filme, baseado no livro homônimo de Emily M. Danforth, é estrelado por Chloë Grace Moretz e tem ainda no elenco Jennifer Ehle, John Gallagher Jr. e Emily Skeggs.

Para o lançamento do longa em circuito comercial, a Pandora Filmes promove uma pré-estreia seguida de debate, na próxima quarta-feira (17/4), às 19h30. O evento, que acontecerá no Cine Belas Artes, terá como debatedores Alice Mello, da Harper Collins Brasil, responsável pela tradução e edição do livro em português, André Fischer, criador do Festival MixBrasil, Fernanda Soares, diretora de cinema e integrante do Canal das Bee, no Youtube, e a artista e documentarista, Mayara Afe.


Para quem não conhece a história, ela se passa na década de 1990 e acompanha a trajetória de Cameron, uma adolescente que foi enviada para um centro de “cura gay” depois de ser pega beijando outra garota. Vivendo com uma tia cristã desde a morte de seus pais, a menina passa a sentir dúvidas sobre sua identidade, e acaba se submetendo a uma terapia que supostamente a transformará numa adolescente heterossexual. Porém, é só quando está na clínica que ela vai descobrir mais sobre si mesma. Enfrentando uma disciplina severa e métodos que supostamente a farão deixar de ser gay, Cameron terá em “Jane Fonda” (Sasha Lane) e Adam (Forrest Goodluck) duas pessoas em quem confiar, e de quem se torna mais próxima. Nenhum dos dois quer abrir mão de sua identidade, o que ajudará a protagonista a se aceitar como realmente é.

Pensa em um filme que vai impactar a sociedade. A resposta é fácil: é esse! Um filme que narra o homossexualismo na década de 1990, você já sabe até o que esperar, certo? Famílias que não aceitam ter filhos, netos, sobrinhos homossexuais existe até hoje, porém, nessa trama, o tema é abordado de uma maneira bem diferente.

No filme vemos a personagem principal Cameron, interpretada pela belíssima atriz Chloë Grace Moretz, ser flagrada transando com a melhor amiga no dia do baile de formatura, flagra este, que é feito pelo então namorado de Cameron. A partir desse momento, a garota é enviada pela tia para um centro de cura gay, que fica isolado da cidade e é rodeado por trilhas e muitas árvores. Neste local, os tutores dizem que acreditando na e em Cristo, todos irão se curar, irão mudar e essa será a salvação.

Um dos tutores deste centro é o Reverendo Rick, um homem que diz já ter sido gay, e que ressalta para todos os jovens, que foi salvo desta perdição graças à sua irmã a Dra. Lydia Marsh, uma das também tutoras do centro.

Todos os jovens que moram neste centro tem um iceberg, uma folha de papel com um iceberg desenhado, e neste desenho, temos o iceberg dividido em duas partes, a parte de cima (fora d’água) representando a salvação, o heterossexualismo, e a parte debaixo (imersa na água), onde cada jovem escreve os motivos que o fizeram pensar que são gays. Alguns dos motivos descritos pelos jovens são falta ou excesso de afeto em casa, falta ou excesso de exemplo estável masculino em casa, ou até mesmo, por algumas vezes ver muitos esportes masculinos com o pai (no caso das garotas), e muitos outros motivos, que você pode saber assistindo ao filme.

Por muitas vezes durante a narrativa, podemos ouvir frases como “O homossexualismo não existe!”, “Ser cristão e ter fé é a salvação”, e muitas outras frases que faziam muito sentido na cabeça do pessoal antigamente.

O longa aborda o tema de uma maneira bem delicada, e em muitos momentos nos questionamos se somente pessoas heterossexuais devem ser felizes. Por que uma pessoa não deve ser homossexual? Por que um homossexual não pode ter sua própria família e feliz? Por quê em 1990 as pessoas pensavam dessa maneira? Por quê ainda hoje existem pessoas que pensem assim? Se prepara para começar a se questionar muito quando for assistir ao filme.

O fato é, que todos os jovens que estão nesse centro de cura gay, estão ali forçados por familiares, que querem que eles se encontrem, esqueçam o passado e saiam de lá heterossexuais e prontos para terem a própria família num futuro melhor. Mas, muitos destes jovens não querem isso, então eles deixam de ter “nojo” de si mesmos e repensam o que realmente querem.

Existe um momento no filme, durante uma conversa no campo, que rola uma tremenda confusão na cabeça desses jovens quando algo do tipo é dito pela Dra. Lydia: “você não ama o outro, na verdade ama o que ele é tem, o que ele tem, as qualidades dele. Mas a sua mente fica confusa e você acha que está atraído por ele, quer ficar com ele, mas não era isso que você realmente queria, pois você não é homossexual”. Muitos jovens acreditam nisso, se questionam, e tiram conclusões a partir do que é dito pela doutora, não do que realmente sentem.

Depois disso, muita coisa rola e o filme acaba de uma forma bem legal. Sei que praticamente contei o filme todo acima, me desculpe se não queria spoilers – mas eu avisei que teriam muitos – , mas precisava falar um pouco citando as cenas.

Antes de finalizar, quero ressaltar que o filme é muito bom, o tema deve ser discutido entre a sociedade sim, os atores se entregam de corpo e alma nos seus respectivos papéis, principalmente a Chloë, que por ser a personagem principal, interpreta várias cenas de beijos e sexo no filme, e consegue ser bem profissional mesmo.

A fotografia desse filme é linda, não tenho palavras, e um dos meus maiores prazeres nos filmes é ver como cada enquadramento de cena e escolha de locais para as gravações são feitas, eu me surpreendo a cada filme que vejo, e não ter tantos erros de gravação tornam o enredo do filme ainda melhor sempre.

Por fim, a estreia do filme está marcada para 18 de Abril no Brasil.

NOTA

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