Na manhã do dia 20/03, tive a oportunidade de assistir com exclusividade, antes mesmo da pré estreia, o filme ‘O Tradutor’, estrelado pelo galã Rodrigo Santoro.


Nas primeiras cenas do filme vemos Fidel Castro feliz e junto dele, uma multidão de adultos e crianças comemorando. O filme é ambientado em 1989 e conta a história de um professor de literatura russa, que é transferido da Universidade de Havana onde dá aulas, para um hospital, onde obrigatoriamente trabalhará na ala infantil, com crianças que foram vítimas do desastre nuclear de Chernobyl, onde o único propósito de estarem neste hospital em Cuba, é para que possam realizar tratamento médico.


O principal personagem se chama Malin (Rodrigo Santoro), que é o professor mencionado acima, e ele é designado pelo governo de seu país à ser o responsável por traduzir todas as conversas entre os pais e crianças soviéticas (que só falam russo) com os médicos (que só falam espanhol).

O-Tradutor2 Crítica | O Tradutor

Durante a trama, o mesmo é ainda responsável por animar e representar a esperança para essas crianças que sofrem diariamente com muita dor e realizam tratamentos de quimioterapia devido o câncer. Mas você se você achou que seria só isso, você achou errado!


Malin ainda é casado e tem um filho, o que divide a sua atenção com esse seu novo trabalho. Ao se ver naquele hospital com crianças que vivem em isolamento e/ou que vivem realizando radio e quimioterapia, o mesmo começa a enxergar mais o outro, e diante disto, automaticamente se afasta de sua família, pois vive um momento em que se dedica mais as estas crianças, fazendo com que elas se sintam mais vivas.


Entre as todas as cenas que emocionam, vemos o Muro de Berlim sendo derrubado, e junto disso, uma época de muita dificuldade econômica começando, onde as relações com a URSS também acabaram.

rodrigo-santoro Crítica | O Tradutor

O roteiro do filme é para aplaudir de pé, porque ele foi muito bem escrito e executado. Cada diálogo se encontra e faz sentido na nossa cabeça, isso sem considerar que ainda vemos Rodrigo Santoro em ação falando em espanhol e russo com muito poder, com uma dominação perfeita de ambas as línguas, e cada close no olhar dele cheio de lágrimas, é de cortar o coração.

A atriz Maricel Álvarez da vida à Gladyz, uma enfermeira que convive diariamente com Malin no hospital, e apoia todas as suas ideias. Em diversos momentos do filme, vemos que existe uma química entre os atores, que faz com que estes dois papéis sejam muito bem executados.

Ao contrário da ótima atuação de Santoro e de Álvarez, temos a péssima atuação de Yoandra Suárez (Isona – esposa de Malin), que em diversos momentos do filme não tem empatia alguma com sua personagem, vemos cenas de briga do casal, em que naturalmente se exige maior expressão facial, ou até mesmo um tom mais alto de voz, mas não vemos ou ouvimos isso, pois a personagem parece que vive numa tranquilidade só.

A grande maioria das cenas do longa são muito bem feitas, principalmente os detalhes de época, e cada característica que é colocada em cena faz com que de fato vejamos um filme de anos atrás.
A história contada neste filme, é baseada em fatos reais, mais precisamente na história do pai de Rodrigo e Sebastián Barriuso, que são os diretores do filme.


Por fim, digo que vale a pena demais assistir esse filme, pois ele nos faz refletir sobre o outro, nos ensina a estender a mão e tentar buscar uma alternativa de salvar vidas diariamente, nem que seja contando uma história ou fazendo um avião de papel.


O Tradutor tem estreia prevista para 04 de Abril, em todos os cinemas do Brasil.