sex, 23 setembro 2022

Crítica | Órfã 2: A Origem

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Em 2009 conhecemos A Órfã, dirigido Jaume Collet-Serra, a produção surpreendeu na época por conta da virada na história da querida Esther (vivida por Isabelle Fuhrman) e conseguir criar uma atmosfera interessante de suspense e pequenos momentos de terror. A obra conseguiu conquistar muitos fãs que alegam ser um definidor do terror contemporâneo, mas também desagradou outras diversas, apontando falta de criatividade ou personagens questionáveis. É fato que desde seu tempo de lançamento, o filme conseguiu um destaque surpreendente, e concluiu com essa divisão de opiniões entre a comunidade cinéfila. Com o segundo filme desnecessário chegando, será que existe algo realmente interessante para se contar?

Leena Klammer/Esther Albright (Isabelle Fuhrman) está de volta para nos mostrar sua mente perversa e instável. Nesta prequela ao filme original de 2009, depois de orquestrar uma brilhante fuga de uma clínica psiquiátrica da Estônia, Esther viaja para os Estados Unidos se passando pela filha desaparecida de uma família rica que procura uma menina por quatro anos. Após ser acolhida pela nova família, luxo e uma psicóloga, “Esther” começa a mostrar suas reais intenções com o pai e a mãe “biológicos”. Esther começa a ser vigiada por um detetive, que fará tudo para mostrar à família que a menina não diz ser quem é de verdade, colocando em risco a nova identidade da órfã.

Não é novidade para ninguém a virada ocorrida no primeiro filme: uma psicopata homicida com nanismo que se aproveita de sua condição para fingir ser uma criança e se infiltrar nas famílias que a adotam. Isabelle Fuhrman, responsável por dar vida a personagem, tinha doze anos na época da obra original, sendo extremamente convincente ela se passar por uma criança de nove anos, que na verdade é uma mulher adulta se passando por uma criança. Agora, com vinte e quatro anos, a atriz reprisa seu mais famoso papel, e infelizmente o vale da estranheza é perceptível durante quase toda a duração. Por outra razão maior, ela interpreta uma versão mais jovem dela e a decisão de não utilizar uma maquiagem mais pesada ou CGI convincente pesa para convencer o telespectador.

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A utilização de outra atriz (mais jovem) compensaria para a história, mas a produtora optou pela volta da atriz original, uma espécie de chamariz para a volta dos fãs e um destaque para possíveis continuações. A produção do filme utiliza planos onde nitidamente percebe-se o uso de uma criança dublê para a Esther, e ocorre também saltos altos para os demais atores, tentando convencer a atriz como criança. É uma tentativa que algumas vezes funciona, outras nem tanto, provocando um afastamento com a realidade criada pelo filme.

A história apresentada como uma “origem” da personagem repete a estrutura do filme original, mas com um vazio perceptível em seu enredo, objetivos e motivações. É fato que novamente existe um ponto de virada na trama, a revelação é interessante, ela estimula o telespectador no meio do filme, mas é mal desenvolvido e fica por isso. A parte final do filme funciona nessa etapa de duelo entre os personagens, porém carece de um esforço do roteiro, e termina de forma boba e apressada.

De todo modo, o filme consegue entreter em suas pequenas partes de vigor, é quase escancarando o abandono da estrutura tradicional do longa anterior, e assim optar por construir uma tragédia familiar/ thriller. Deixando de lado essa mitologia da vilã e perdendo força para acrescentar mais camadas da personagem. A virada é criativa, mas deixe de lado uma questão logica de atitude (no caso um simples teste de DNA) e assim deixando essa base sem qualquer seriedade.

No final das contas, Órfã 2- A Origem é um filme “fofo” de suspense, não choca, não surpreende muito, mas traz uma diversão honesta em todo esse conflito familiar. É interessante que o diretor tem esse histórico ruim em grande parte de sua filmografia, mas ele não se entrega para inovações, ele simplesmente faz o tradicional, até mesmo escolhas típicas dos anos 80/90. Não existe dualidade aqui, quem é ruim é ruim, quem é bom é bom. O foco é a sobrevivência da personagem dos obstáculos apresentados. A obra oscila entre pequenos momentos bons de suspense e forçamentos de cenas consideradas “icônicas” (exemplo a cena da Esther descendo as escadas enquanto a casa pega fogo). De uma maneira ou outra, o resultado apresentado não é tão ruim como o mostrado nos trailers, apenas torcer para não transformarem essa ideia em mais uma franquia maluca de terror.

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