Após um bom sucesso com o filme original ‘Os Estranhos’, em 2008, dirigido por Bryan Bertino, a Lionsgate anunciou que teriam filmes que iriam contar outras histórias, mas seguindo a premissa da história. Com o projeto recebendo luz verde, o diretor Renny Harlin, conhecido por ‘Duro de Matar 2’ (1990) resolveu gravar os três filmes juntos, estrelados por Madeleine Petsch, conhecida especialmente por seu papel na série ‘Riverdale’ (2017-2023), com os filmes ‘Os Estranhos: Capítulo 1’ e ‘Os Estranhos: Capítulo 2’ sendo lançados em 2024 e 2025, respectivamente.
O filme segue as mesmas escolhas e mesmas ideias dos seus dois filmes anteriores. E, pra quem assistiu os outros filmes, sabe que isso é o maior problema. ‘Os Estranhos: Capítulo Final’ tenta se vender como o ápice de uma jornada que, na prática, nunca soube exatamente para onde estava indo. E talvez esse seja o maior problema desse filme em especial da trilogia, ele não conclui absolutamente nada. Repete fórmulas, os sustos, repete uma ideia de terror psicológico que já vinha esvaziada desde os capítulos anteriores e que chega neste último completamente oca. Existe uma insistência quase teimosa em tratar o filme como algo mais sofisticado do que ele realmente é. A proposta de um terror psicológico pode sugerir uma construção de atmosfera, tensão crescente, uma relação mais íntima com o medo. Mas o que vemos é justamente o oposto de medo. São cenas que parecem desconectadas, que não criam espaço para o desconforto do terror se instalar. O filme não constrói tensão, ele simplesmente joga situações violentas na tela e espera que isso seja suficiente.
A violência funciona como o artifício preguiçoso. Não há preparação, não tem impacto real na tela, apenas uma sucessão de momentos que parecem existir isoladamente, como se fossem recortes de ideias que nunca chegaram a ser desenvolvidas. É como assistir a um rascunho que foi filmado antes mesmo de ser revisado. A sensação constante é de um filme que está sempre tentando se justificar, tentando provar que aquela história faz sentido, mas sem nunca conseguir de fato sustentar isso. Os elementos que poderiam servir como pilares narrativos acabam se tornando apenas enfeites sem função. A igreja, as tatuagens, as máscaras, tudo parece carregado de uma intenção simbólica que nunca vira um símbolo. São signos que apontam para algo maior, mas esse “algo” simplesmente não existe. Dentro da decupagem, essas escolhas não se conectam de forma orgânica, resultando em uma narrativa que mais confunde do que instiga.

E isso se agrava ainda mais na forma como o filme é estruturado. A decisão de produzir os capítulos de forma conjunta talvez explique essa sensação de artificialidade constante. Em vez de uma história que evolui naturalmente, mesmo que tenha sido três filmes para ela poder se desenvolver, o que temos é um produto que parece montado em cima de encaixes forçados, como se cada parte tivesse sido pensada isoladamente e depois costurada sem muito cuidado. O resultado é um filme que não flui, que não cresce e que, principalmente, não deixa marcas.
As atuações também não ajudam a elevar o material. Não há aqui um trabalho interpretativo que consiga adicionar camadas ou oferecer algum tipo de leitura mais profunda. Os personagens existem apenas como peças funcionais dentro desse jogo, reagindo aos acontecimentos de maneira superficial, sem construção emocional ou complexidade.
No fim, “Os Estranhos: Capítulo Final”, e toda a trilogia de Renny Harlin, se resume a um amontoado de cenas que tentam simular uma experiência de terror, mas que nunca conseguem realmente provocar algo além de um leve cansaço. É um filme que quer parecer intenso a todo custo. E talvez o mais frustrante seja justamente o fato de que, mesmo no seu suposto encerramento, essa história nunca chegou a começar de verdade.


